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Estado de Minas NOVA YORK

Nova-iorquinos lamentam decisão 'estúpida' da Suprema Corte sobre armas


23/06/2022 19:12

Das ruas de Nova York aos corredores do Congresso, os americanos manifestaram nesta quinta-feira (23) sua indignação ou sua satisfação com a decisão da Suprema Corte que permite o porte de armas em público, um reflexo da divisão do país.

A decisão, aprovada por seis votos a favor e três contra, anula uma lei de Nova York de 1913 que exigia uma permissão especial para portar armas de fogo em público.

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, chamou a decisão da Suprema Corte de "indignante" e um "dia sombrio", em um momento em que a violência armada está em alta no país. As armas já mataram 20.857 pessoas até agora este ano, 11.484 delas por suicídio e as demais por homicídios, segundo a organização Gun Violence Archive.

"Terrível, absolutamente terrível, que nosso direito de impor restrições razoáveis tenha sido tirado de nós", declarou a governadora à imprensa.

O prefeito de Nova York, Eric Adams, eleito no ano passado com a promessa de tornar a Big Apple mais segura, prometeu fazer tudo "ao seu alcance para conter" a crescente onda de violência e impedir a capital financeira e turística do país, de quase 9 milhões de habitantes, de se tornar o "oeste selvagem".

- "Estúpido", "horrível" -

Entre a população, a decisão da Suprema Corte causou surpresa e medo pelo que pode acontecer.

"É estúpido, estúpido", disse à AFP Sushmita Peters, uma assistente social de 23 anos, de Queens. "A população olha para as pessoas no poder para se sentir segura e não é isso que se sente quando tomam uma decisão como essa."

Na memória das pessoas está fresco ainda o tiroteio em um vagão do metrô de Nova York que deixou cerca de 20 pessoas feridas em abril, assim como os massacres de maio em um supermercado em Buffalo (norte de Nova York), contra a comunidade negra, no qual 10 pessoas foram mortas, e em uma escola primária em Uvalde, Texas, com 19 crianças e dois professores mortos.

Esses episódios provocaram um clamor generalizado para que a venda de armas de fogo fosse restringida e os controles aumentados.

Na área de escritórios do centro de Manhattan, para o artista kuwaitiano Mohammed, de 38 anos, que vive nos Estados Unidos há 20, a decisão é "horrível".

"Ouvimos falar de todos esses assassinatos e só de pensar que as pessoas carregam armas, é simplesmente inimaginável", disse à AFP desapontado.

A opinião é compartilhada por Christy, de 32 anos, uma guarda de segurança negra que trabalha em um estacionamento. Ela acha que essa decisão contribuirá para "aumentar a criminalidade", entre outras coisas, devido a problemas de saúde mental, que é a "primeira coisa que deve ser abordada".

- "Agenda ideológica radical" -

Outros estados, como a Califórnia, têm leis semelhantes às de Nova York, portanto, a decisão do mais alto tribunal dos EUA também reduzirá sua capacidade de limitar as armas.

"É uma decisão perigosa de um inferno judicial empenhado em impor uma agenda ideológica radical e violar os direitos dos estados de proteger nossos cidadãos de serem mortos nas ruas, escolas e igrejas. Vergonhoso", disse o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom.

"Não se enganem: esta decisão colocará mais pessoas em risco de serem feridas ou mortas pela violência das armas de fogo", tuitou o congressista Ro Khanna.

Para sua colega Pramila Jayapal, a Suprema Corte está "desconectada" do país e enfrenta uma "crise de legitimidade".

Em contraste, os republicanos, defensores ferrenhos da Segunda Emenda da Constituição de 1788, que estabelece o direito de portar armas, elogiaram a decisão.

O líder da Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, tuitou que a decisão "garante legitimamente o direito de todos os americanos que respeitam a lei de se defenderem sem a intervenção desnecessária do governo".

"O direito das pessoas de possuir e portar armas não deve ser infringido", declarou o legislador Markwayne Mullin, parafraseando a Segunda Emenda.

"É uma boa ideia. É autodefesa, pode te salvar. Alguém que saiba que você tem uma arma tomará cuidado", disse Sam - que se recusou a dar seu sobrenome - à AFP em Manhattan.


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