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Estado de Minas PARIS

Macron sofre revés em eleições legislativas na França


19/06/2022 16:34

A aliança de centro do presidente francês, Emmanuel Macron, se encaminha a perder, neste domingo (19), a maioria absoluta no Parlamento, diante do avanço da frente de esquerda e, sobretudo, da ascensão espetacular da extrema direita nas eleições legislativas.

A coalizão Juntos! , de Macron, obteria entre 200 e 260 cadeiras, seguida da Nova União Popular, Ecológica e Social (Nupes, esquerda), com entre 150 e 200, e do Agrupamento Nacional (extrema direita), de 60 a 100, segundo projeções. A maioria absoluta é de 289 assentos.

"Se estes resultados se confirmarem, estarão muito longe do que esperávamos (...) Está em gestação uma situação inédita na vida política e parlamentar, que nos exigirá superar nossas certezas, nossas divisões", disse o ministro de Contas Públicas, Gabriel Attal.

Embora a negociação seja comum na maior parte das democracias, a ausência de uma maioria absoluta no Parlamento pode virar uma dor de cabeça para o partido no poder para levar adiante seu programa de orientação liberal.

Para alcançar os 289 assentos, o partido Os Republicanos (direita) e seus aliados, UDI (45 a 80 assentos), poderiam se tornar chaves para o presidente de centro. Seus líderes anteciparam nos últimos dias que farão uma "oposição útil".

A esquerda apresentou as legislativas como um "terceiro turno" das presidenciais, ao considerar que os franceses reelegeram Macron em 24 de abril para impedir a chegada ao poder de sua adversária da extrema direita Marine Le Pen, e não por suas ideias.

Mesmo que o presidente perca a maioria absoluta, a primeira frente de esquerda em 25 anos - esquerda radical, ecologistas, comunistas e socialistas - está longe do objetivo de vencer e impor Mélenchon como primeiro-ministro.

A deputada Clémentine Autin saudou, no entanto, em declarações à televisão France 2, um "avanço incrível" e uma "validação da estratégia realizada por Jean-Luc Mélenchon, uma reunião de forças de transformação social e ecológica".

O partido ultradireitista de Le Pen, embora fique com a terceira posição, seria um dos principais vencedores das eleições, ao poder formar um grupo parlamentar próprio pela primeira vez desde 1986, ganhando peso.

"É uma onda azul marinho em todo o país. A lição desta noite é que o povo francês tornou Emmanuel Macron um presidente minoritário", comemorou em declarações à televisão TF1 Jordan Bardella, seu líder interino, qualificando-o de "tsunami".

A participação era chave no segundo turno, mas de acordo com as projeções novamente mais da metade dos 48,7 milhões de franceses convocados às urnas não foram votar.

- Ministros derrotados -

Este pleito encerra um ciclo de votações crucial para o rumo da França nos próximos cinco anos. O próximo compromisso eleitoral serão as eleições ao Parlamento Europeu em 2024, dois anos nos quais os partidos poderão consolidar a recomposição em curso.

A ascensão do centrista Macron em 2017 sacudiu o tabuleiro político francês, que agora se divide em três blocos principais - esquerda radical, centro e extrema direita -, deixando de lado os partidos tradicionais de governo.

Após o revés nas presidenciais, o Partido Socialista (PS) decidiu se unir à frente liderada por Mélenchon, apesar do descontentamento de seus ex-líderes e Os Republicanos, enfraquecidos, esperam ser chave para tecer maiorias com Macron.

Na reta final da campanha, a aliança de Macron advertiu para o caos que representaria ter que governar com maioria simples e, sobretudo, para o "perigo" que representaria a chegada da frente de esquerdas ao poder.

Em seu retorno a uma viagem à Ucrânia, Macron defendeu uma "França realmente europeia", após acusar seus adversários da Nupes de querer abandonar a União Europeia (UE) - o que eles negam -, e reivindicou uma "maioria sólida".

Os franceses deviam votar no candidato de sua circunscrição - 577 no total -, em um sistema uninominal em dois turnos. No primeiro turno, um deputado do Juntos! e quatro da Nupes já conquistaram assentos.

Para os membros do governo francês que optam por um assento, entre eles a primeira-ministra, Élisabeth Borne, as eleições representam um desafio duplo porque deverão deixar o poder se perderem, segundo uma regra tácita.

Este é o caso da secretária de Estado para o Mar, Justine Benin, que foi derrotada na Ilha de Guadalupe, assim como a ministra da Saúde, Brigitte Bourguignon, no norte da França, informou seu comitê à AFP.


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