Jornal Estado de Minas

WASHINGTON

Biden se reunirá com príncipe herdeiro saudita em visita ao Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fará história no próximo mês com um voo direto entre Israel e Arábia Saudita, onde se encontrará com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, abandonando os esforços para condenar ao ostracismo o líder de fato do reino petroleiro pelo assassinato de um jornalista dissidente.



A Casa Branca pôs fim, nesta terça-feira (14), a semanas de especulações, ao anunciar que Biden viajará para Israel, para o território palestino da Cisjordânia e para a Arábia Saudita de 13 a 16 de julho.

Esta será a primeira viagem de Biden ao Oriente Médio como presidente. Além de reuniões com líderes individuais nestes três lugares, o democrata participará de uma cúpula regional do Conselho de Cooperação do Golfo na Arábia Saudita.

"Podemos esperar que o presidente se encontre com o príncipe herdeiro", disse sua porta-voz Karine Jean-Pierre.

Há uma expectativa generalizada de que Biden buscará garantir um impulso na produção de petróleo saudita, em uma tentativa de controlar o aumento dos preços internacionais do petróleo bruto, dos combustíveis e a crescente inflação nos Estados Unidos antes das eleições legislativas de meio de mandato, nas quais seu Partido Democrata corre o risco de perder a maioria no Congresso.

Seu encontro com o príncipe saudita, também conhecido como MBS, marcará uma controversa mudança de política.

Como candidato à presidência, Biden condenou o assassinato em 2018 de Jamal Khashoggi, jornalista nascido na Arábia Saudita naturalizado americano, conhecido por escrever artigos críticos sobre os governantes sauditas no jornal "The Washington Post". Biden chegou a afirmar que, por este ato, o reino havia se transformado em um "pária".



As descobertas dos serviços de Inteligência dos Estados Unidos divulgadas pelo governo Biden identificaram MBS como o principal autor intelectual da operação.

Embora a Casa Branca tenha confirmado que a "segurança energética" será uma "questão" na Arábia Saudita, as autoridades enfatizaram que toda viagem tem objetivos diplomáticos mais amplos.

Biden terá contatos com vários líderes durante a breve turnê, buscando mostrar "o retorno da liderança americana" no plano internacional, disse à imprensa um funcionário de alto escalão do governo americano.

- Restabelecimento dos laços palestinos -

A viagem começa em Israel com uma reunião com seu primeiro-ministro, Naftali Bennett. Biden visitou este país pela primeira vez há quase 50 anos, quando era senador.

O presidente destacará o generoso apoio dos EUA às Forças Armadas de Israel, como o sistema antimísseis Domo de Ferro, em um momento de tensão pelo fracasso contínuo em ressuscitar o acordo internacional de 2015 para restringir o programa nuclear de Israel.



"Enquanto estiver em Israel, o presidente provavelmente visitará uma área onde esses sistemas defensivos são usados e discutirá novas inovações entre nossos países que usam tecnologias de laser para neutralizar mísseis e outras ameaças aéreas", disse o funcionário, que falou sob condição de anonimato.

Mais tarde, Biden se reunirá com o presidente palestino, Mahmud Abbas, provavelmente na cidade de Belém, segundo a fonte.

Biden enfatizará "seu compromisso vitalício com uma solução de dois Estados" e restaurará os laços dos EUA com os palestinos, "quase rompidos" durante o governo de seu antecessor, Donald Trump (2017-2021).

- História e polêmica -

O voo de Biden de Israel para Jidá será o primeiro de um presidente americano que vai diretamente de um estado judeu para um reino árabe que não reconhece seu vizinho. Em 2017, Trump fez essa viagem, mas ao contrário.



Uma vez lá, Biden participará do Conselho de Cooperação do Golfo com líderes do Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além de ser acompanhado pelas autoridades do Egito, Iraque e Jordânia, detalhou o funcionário norte-americano.

Uma prioridade para Biden será manter a trégua recentemente estendida no conflito do Iêmen, assim como dissuadir o Irã de possíveis ameaças, "promover os direitos humanos e garantir a segurança alimentar e energética global", disse ele.

Biden também participará de uma cúpula virtual do chamado grupo diplomático I2-U2 de Índia, Israel, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos, com foco na "crise de segurança alimentar" causada pela invasão lançada no final de fevereiro por Rússia contra a vizinha Ucrânia, uma potência exportadora agrícola.

No entanto, a reunião mais observada será entre Biden e MBS.

"A política dos EUA exigiu uma recalibração das relações", após o assassinato de Khashoggi, "não uma ruptura", disse o alto funcionário americano.

Neste sentido, disse que a Arábia Saudita tem sido um parceiro estratégico dos Estados Unidos durante oito décadas e abriga cerca de 70.000 americanos e que é "o mais inteligente" que se pode fazer neste momento para a região.

No entanto, o senador democrata Ron Wyden destacou em uma declaração que Biden "não pode valorizar mais o petróleo saudita do que o sangue ".

"Aceitar bin Salman só faz com que nossa população fique mais vulnerável aos caprichos dos tiranos", disse.