Em discurso durante uma convenção sindical na Filadélfia, um dia antes do anúncio do Federal Reserve (Fed, banco central) sobre a magnitude do aumento de suas taxas de juros de referência, o presidente ressaltou que a inflação prejudica "muitas famílias".
Biden voltou a rechaçar a ideia de que os gastos maciços do Estado federal durante a pandemia de covid-19 fossem responsáveis pela disparada dos preços, e preferiu explicar o fenômeno pelas repercussões da guerra na Ucrânia e pela obstrução do Partido Republicano a seus planos econômicos.
Segundo Biden, a invasão da Rússia - que produz hidrocarbonetos - à Ucrânia - um dos principais produtores de trigo do mundo - provocou os aumentos nos preços de combustíveis e alimentos.
Além disso, "os republicanos no Congresso fazem tudo o que podem" para impedi-lo de implementar seu programa para "reduzir os custos para as famílias comuns".
"É por isso que o meu plano não está concretizado e tampouco os seus resultados", esquivou-se.
O chefe de Estado argumentou que a inflação esconde a saída bem-sucedida dos Estados Unidos da pandemia, com salários em alta, números recordes de abertura de pequenas empresas e a mais vigorosa geração de emprego "da história" do país.
"Os empregos voltaram. Mas os preços continuam altos. A covid está caindo, mas os preços da gasolina estão subindo. Nosso trabalho não foi concluído", ressaltou o presidente.
A inflação nos EUA alcançou um novo recorde em maio, de 8,6% interanual, muito acima das expectativas dos analistas. O aumento dos preços ao consumidor voltou a acelerar no mês passado.
O Fed busca controlar a inflação com uma sucessão de aumentos nos juros para frear o consumo, depois de manter as taxas próximas de zero para impulsionar a demanda e o investimento durante a pandemia.
Por sua vez, o mercado dá como certo um novo aumento nas taxas de juros nesta quarta-feira.