Na campanha eleitoral, que há três semanas levou à vitória do Sinn Fein nas legislativas regionais da Irlanda do Norte, o partido deixou em segundo plano a reunificação com a vizinha República da Irlanda, priorizando questões como a crise do custo de vida.
"Estamos nos preparando para uma mudança constitucional, a reunificação da Irlanda. Temos que fazer isso de forma pacífica, democrática e ordenada", afirmou McDonald em coletiva de imprensa em Londres.
Para que ocorra a reunificação - que em virtude do acordo de paz da Sexta-feira Santa de 1998 exigiria organizar um referendo - "é preciso haver uma preparação", "um debate muito amplo em toda a ilha, que inclua todos os pontos de vista", destacou.
"Os governos de Londres e Dublin precisam considerar que isso é uma tendência, cada vez mais pessoas na ilha sentem que a mudança é iminente", afirmou.
Desde as eleições em 5 de maio, nas quais o Sinn Fein - ex-braço político do desaparecido grupo armado IRA - se tornou pela primeira vez o principal partido no Parlamento regional norte-irlandês, as instituições locais, nas quais unionistas e republicanos devem compartilhar o poder, estão paralisadas.
O partido unionista do DUP se recusa a participar, exigindo a eliminação dos controles pós-Brexit sobre as mercadorias que chegam à região procedentes do resto do Reino Unido.
Em Londres, o governo de Boris Johnson ameaçou legislar para derrubar unilateralmente o protocolo da Irlanda do Norte, arriscando uma guerra comercial de retaliação com a União Europeia.
Os lados acusam-se mutuamente de comprometer o acordo de paz, que encerrou três décadas de conflito no qual 3.500 pessoas morreram.
Os Estados Unidos - garante do acordo e que na semana passada enviaram uma delegação especial à Europa - e os europeus "investiram muito em termos diplomáticos e políticos no processo de paz irlandês e ninguém vai permitir que Boris Johnson, de forma tão arrogante, estrague o que eles planejaram com tanta paciência", disse McDonald.