Os distúrbios ocorreram na sexta-feira à noite em Warji, localidade do estado de Bauchi, quando "jovens enfurecidos incendiaram casas e sete lojas, deixando vários feridos", informou um porta-voz da polícia, Ahmed Mohammed Wakili, em um comunicado.
A multidão procurava Jurau, uma trabalhadora da área médica, de 40 anos, por ter publicado nas redes mensagens consideradas blasfêmias. Segundo o testemunho de moradores, os manifestantes desataram sua revolta ao saber que a mulher tinha se escondido na vizinhança.
A polícia informou ter se mobilizado rapidamente, permitindo restabelecer "a calma".
A blasfêmia é um tema extremamente sensível no país mais populoso da África, dividido entre o sul majoritariamente cristão e o norte predominantemente muçulmano.
Na semana passada, estudantes muçulmanos mataram a pedradas a estudante cristã Deborah Samuel na cidade de Sokoto (noroeste), e queimaram seu corpo, após acusá-la de ter feito comentários considerados blasfêmia nas redes sociais contra o profeta Maomé.
O caso provocou uma onda de indignação e a polícia informou ter detido dois supostos participantes do linchamento.
As detenções ocorreram no dia seguinte a protestos pedindo sua libertação, durante os quais manifestantes enfrentaram as forças de segurança e incendiaram estabelecimentos comerciais.
Na segunda-feira passada, a polícia dispersou uma manifestação em frente à residência de uma mulher cristã em Maiduguri (nordeste), acusada também de fazer comentários considerados blasfêmia.
A blasfêmia é punida com a pena de morte segundo a lei muçulmana (sharia), vigente em estados do norte da Nigéria. Mas em muitos casos, os suspeitos são executados por fiéis enfurecidos e sem julgamento prévio.