Glas "deu entrada na CPL de Cotopaxi. Por razões de segurança e em conformidade com a norma vigente, será, no entanto, transferido para a prisão 4", em Quito, tuitou o Ministério do Interior.
Horas antes, a polícia deteve o ex-vice-presidente - que não resistiu à prisão - em sua casa em Guayaquil, segundo vídeos postados nas redes sociais.
"Volto à prisão com muita dor da minha família, mas como parte da minha luta pessoal e de um projeto político que é história viva", disse o vice do ex-presidente Rafael Correa desde 2013 e reeleito na chapa de Lenín Moreno (2017-2021).
Mais cedo, um tribunal da província de Santa Elena (sudoeste) havia decidido "declarar a nulidade" do que foi determinado pelo juiz que concedeu o "habeas corpus" a Glas em 10 de abril passado, de acordo com sentença publicada no portal do Conselho do Judiciário.
A Corte determinou, ainda, a "imediata localização, captura e traslado" do ex-vice-presidente de 52 anos para a prisão da província andina de Cotopaxi (centro), onde cumpria pena de seis anos de prisão por receber propinas da Odebrecht.
"Glas não foge, e acredito que já provei isso. O excesso de infâmia se impôs mais uma vez", criticou, em um vídeo divulgado nas redes sociais, pouco antes de sua detenção.
- Mudança de prisão -
Após entrar na penitenciária de Cotopaxi, o órgão responsável pelo sistema prisional (SNAI) decidiu transferir Glas para outra instituição.
"Para proteger a vida, a ordem e a segurança do cidadão J.D.G.E., decidiu-se transferi-lo para a prisão nº 4, em Quito", informou o SNAI no Twitter.
O organismo informou ainda que, durante a transferência, alguns detentos "provocaram brigas e resistência, danificando a infraestrutura do centro", o que foi controlado por policiais e militares.
Glas também foi condenado em última instância a oito anos de reclusão por pedir propinas a empresários em troca de licitações no caso conhecido como "Subornos 2012-2016". Neste mesmo processo, condenou-se o ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), à revelia.
As duas condenações foram ratificadas em última instância.
Em outro caso, o ex-vice foi condenado em 2021 a oito anos de prisão por peculato na concessão de um campo petrolífero. Esta pena ainda não foi executada. porque há apelações.
No Twitter, Correa denunciou "uma pressão midiática e política sem precedentes sobre o tribunal de Santa Elena".
Após receber o "habeas corpus", Glas seguiu para a cidade de Guayaquil (sudoeste), onde mora sua família. Ali, apresentou-se periodicamente perante um juiz, como medida substitutiva à prisão.
O ex-vice-presidente se entregou em outubro de 2017 à Justiça, que o indagava pelas propinas milionárias repassadas pela Odebrecht para acessar contratos no Equador.
Perdeu o posto em janeiro de 2018, quando o Congresso declarou sua ausência definitiva no cargo após ser condenado. Com isso, tornou-se o funcionário de mais alto escalão da América Latina sentenciado pelo esquema de propinas da empreiteira brasileira.