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Estado de Minas SANTIAGO

Morre jornalista baleada no Chile enquanto cobria marcha de 1º de maio


12/05/2022 18:17

A jornalista Francisca Sandoval, que foi baleada enquanto cobria uma marcha do Dia do Trabalho em Santiago, morreu nesta quinta-feira depois de ficar 12 dias internada, informou um médico do Hospital de Emergência de Assistência Pública.

Sandoval, de 30 anos, que trabalhava para o veículo comunitário Señal 3, de La Victoria, foi uma das três pessoas feridas por tiros durante os violentos confrontos ocorridos na capital chilena paralelamente a uma manifestação sindical.

O médico Daniel Rodríguez, chefe da Unidade de Terapia Intensiva do hospital, informou à imprensa que Sandoval "morreu minutos antes das 11h desta quinta-feira, após 12 dias em extrema gravidade".

Ele explicou que a jovem jornalista foi baleada no rosto e teve uma lesão "muito agressiva", que causou uma hemorragia cerebral.

O presidente Gabriel Boric expressou seus pêsames à família de Sandoval, a quem qualificou de "vítima inocente de delinquentes" e assegurou que "não permitirão impunidade" no caso. Os autores foram detidos e está em curso uma investigação desde a semana passada.

"A violência prejudica a democracia e afeta famílias irreparavelmente. Nosso compromisso é com a segurança e a justiça e não descansaremos neste afã. Meus sentidos pêsames e abraço à família de Francisca Sandoval, vítima inocente de delinquentes. Não permitiremos impunidade", reforçou o presidente Boric no Twitter.

Durante a marcha de 1º de maio, convocada pela Central de Trabalhadores no município de Estación Central, em Santiago, houve incidentes com manifestantes que montaram barricadas, alguns entraram em estabelecimentos comerciais e confrontaram comerciantes.

Em meio aos distúrbios, um grupo de vendedores ambulantes saíram para enfrentar os manifestantes com tiros que atingiram três pessoas.

O estado de Sandoval era grave desde o primeiro momento, mas sua morte provocou consternação entre as autoridades do país, que coincidiram em expressar sua preocupação com a ameaça à democracia que representa o recente aumento da criminalidade armada.

Somaram-se ao luto estudantes de jornalismo, que convocaram um protesto em frente ao hospital nesta quinta-feira pela tarde para denunciar a violação dos direitos humanos e ameaça à liberdade de imprensa.

"Francisca não nos deixou. Eles a assassinaram. Com essas palavras confirmamos a morte de nossa querida Fran. Sentiremos sua falta e faremos todo o possível para encontrar a verdade", informou o veículo Señal 3.

Na semana passada, três autores do tiroteio foram presos.

Em um clima de hostilidade generalizada, atos de vandalismo se misturam em meio a protestos sociais, aumento de grupos de tráfico de drogas em setores pobres do país e maior presença de armas de fogo sem porte legal entre civis.


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