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Estado de Minas SEUL

Coreia do Norte dispara míssil após reconhecer primeiro surto de covid-19


12/05/2022 13:05

A Coreia do Norte disparou três mísseis balísticos nesta quinta-feira (12), horas depois de reconhecer seu primeiro surto de covid-19 desde o início da pandemia, declarar uma "grave emergência nacional" e determinar confinamentos em todo o país.

O líder Kim Jong Un, usando uma máscara em público pela primeira vez de acordo com imagens da televisão estatal, ordenou medidas de "confinamento" em todo o país. Ele supervisionou uma reunião de emergência de seu escritório político e anunciou um sistema de controle do vírus de "emergência máxima".

Poucas horas após este anúncio, o Exército sul-coreano informou que a Coreia do Norte disparou três mísseis balísticos de curto alcance da área de Sunan, em Pyongyang. Este seria o 16º teste de armas do país desde janeiro e ocorre logo após Washington alertar sobre o risco de um teste nuclear iminente por Pyongyang.

Ao disparar um míssil logo após relatar seus primeiros casos de covid, Pyongyang quer mostrar que "a luta contra o coronavírus e seu objetivo de defesa nacional são duas coisas diferentes", disse Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-coreanos.

Até agora, a empobrecida nação - mas com armamento nuclear - não havia admitido nenhum caso de coronavírus. O país decretou no início de 2020 um bloqueio severo com o exterior, que derrubou sua economia e comércio.

A agência oficial de notícias KCNA informou que as amostras coletadas de vários pacientes doentes com febre em Pyongyang no domingo eram "consistentes" com a altamente contagiosa variante ômicron do coronavírus.

Kim "ordenou a todas as cidades e municípios do país que adotem o confinamento cuidadoso em suas áreas", afirmou a KCNA. Fábricas, estabelecimentos comerciais e residências devem permanecer fechados e reorganizados para "bloquear de maneira impecável a propagação do vírus maligno", insistiu a agência estatal.

Kim "garantiu que, devido ao alto nível de conscientização política da população, (...) superaremos com toda segurança a emergência e teremos êxito com o plano de quarentena de emergência", acrescentou.

O comunicado pouco transparente não revela quantos casos foram detectados no país.

"Para que Pyongyang admita publicamente casos de ômicron, a situação de saúde pública deve ser grave", disse o professor Leif-Eric Easley da Universidade Ewha de Seul.

"Pyongyang provavelmente vai insistir com os confinamentos, apesar do fracasso da estratégia covid zero da China sugerir que esta abordagem não funciona com a variante ômicron", acrescentou.

- Sem vacinas? -

Analistas acreditam que a Coreia do Norte não vacinou nenhum de seus 25 milhões de habitantes depois de rejeitar as ofertas de doses da Organização Mundial da Saúde (OMS), da China e da Rússia.

Também consideram que o deficiente sistema de saúde do país isolado enfrentaria muitas dificuldades para enfrentar um grande surto de covid-19.

A Coreia do Norte fica próxima de países que enfrentaram ou ainda enfrentam surtos da variante ômicron, como Coreia do Sul e China, onde várias cidades estão em confinamento severo há várias semanas.

A publicação NK News, especializada em temas norte-coreanos e que tem sede em Seul, afirmou que algumas áreas de Pyonyang estão em confinamento há dois dias.

"Várias fontes ouviram relatos de compras de pânico devido à incerteza de quando o confinamento terminará", destacou a publicação.

Ao que tudo indica, a Coreia do Norte tentará evitar as medidas extremas da China, como "encarcerar virtualmente seus habitantes em apartamentos", disse Cheong Seong-chang, do Instituto Sejong.

"Porém, mesmo os confinamentos mais limitados provocarão uma grave escassez de comida e o mesmo caos que a China enfrenta", afirmou.

Durante toda a pandemia, a Coreia do Norte expressou orgulho por sua declarada capacidade de manter o vírus fora de suas fronteiras. Em um desfile militar em 2020, Kim agradeceu aos cidadãos e aos militares por seus esforços.

Desde o início da pandemia, o país não havia confirmado nenhum caso ou morte por covid-19.

Embora a imprensa estatal tenha anunciado medidas de "prevenção da epidemia", em um grande desfile militar no mês passado na capital nenhum dos milhares de participantes usava máscara.


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