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Estado de Minas HONG KONG

Ex-chefe de segurança John Lee é nomeado chefe do Executivo de Hong Kong


08/05/2022 08:55

O ex-chefe de segurança que supervisionou a repressão ao movimento pró-democracia de Hong Kong foi nomeado, neste domingo (8), como o novo líder da cidade por um pequeno comitê de pessoas leais a Pequim.

John Lee, de 64 anos, era o único candidato a suceder Carrie Lam, a atual chefe do Executivo do centro financeiro.

Sua nomeação marca a primeira vez que um oficial de segurança assume a liderança do governo de Hong Kong e ocorre após anos tumultuados de repressão ao movimento pró-democracia e de controle da pandemia.

"Entendo que levarei algum tempo para convencer a população. Mas posso fazê-lo através da ação", reconheceu Lee aos repórteres neste domingo.

Ele expressou seu desejo de construir uma Hong Kong "cheia de esperança, oportunidades e harmonia" agora que as autoridades "restauraram a ordem após o caos".

Lee obteve 1.416 votos do comitê integrado por 1.461 pessoas, o equivalente a 0,02% da população de 7,4 milhões de pessoas. Os demais membros não votaram.

O comitê, formado por elites políticas e empresariais leais a Pequim, realizou a votação na manhã deste domingo.

- "Espírito democrático" -

Pequim saudou o resultado quase unânime, dizendo que mostra que "a sociedade de Hong Kong tem um alto nível de reconhecimento e aprovação" para Lee.

"Esta é uma verdadeira demonstração do espírito democrático", disse o Escritório de Negócios de Hong Kong e Macau em comunicado.

A União Europeia, por sua vez, lamentou "a violação dos princípios democráticos e do pluralismo político e considera que este processo de seleção é mais um passo no desmantelamento do princípio 'um país, dois sistemas'", assegurou seu chefe da diplomacia, Josep Borrel.

Os protestos foram proibidos em Hong Kong e as autoridades se valem de uma interdição por motivos de saúde de reuniões de mais de quatro pessoas, bem como uma nova lei de segurança.

A mídia local informou que a polícia enviou entre 6.000 e 7.000 agentes para garantir a segurança durante o processo.

A Liga dos Social-Democratas, um dos poucos grupos pró-democracia remanescentes, organizou um protesto de três pessoas antes da abertura da votação, cantando "poder ao povo, sufrágio universal agora".

"Sabemos que esta ação não terá efeito, mas não queremos que Hong Kong fique totalmente em silêncio", declarou a manifestante Vanessa Chan, enquanto os policiais observavam.

- Lei de segurança -

Sob o presidente Xi Jinping, a China procurou moldar Hong Kong à sua própria imagem autoritária, após os grandes e, por vezes, violentos protestos pró-democracia de 2019.

Pequim impôs uma lei de segurança destinada a reprimir a dissidência, juntamente com um sistema político que inclui "apenas patriotas" para garantir que somente pessoas leais à China ocupem cargos públicos de alto escalão.

Fontes dizem que o compromisso inabalável de Lee com essa linha permitiu que ele ganhasse a confiança da China, em um momento em que outras figuras de Hong Kong eram vistas como insuficientemente leais ou competentes.

"Ele é um homem que passou no teste", disse recentemente à AFP Lai Tung-kwok, ex-ministro da Segurança.

Lee, que passou 35 anos na força policial de Hong Kong antes de ingressar no governo, herda uma série de problemas.

O movimento pró-democracia foi esmagado pela lei de segurança, enquanto grande parte da população se ressente do governo de Pequim e reclama da desigualdade arraigada na cidade.

Hong Kong também enfrenta dificuldades econômicas pelos dois anos de fortes restrições ligadas à pandemia que a isolaram do resto do mundo.

Sob o slogan "Começando um novo capítulo para Hong Kong juntos", Lee prometeu um governo focado em resultados, forjando unidade e reiniciando a economia local.

Um manifesto de 44 páginas divulgado na semana passada delineou alguns objetivos gerais com poucas metas políticas concretas.

Lee assumirá o cargo em 1º de julho, o 25º aniversário da devolução pelo Reino Unido de Hong Kong à China.

A China concordou em deixar Hong Kong manter algumas liberdades e autonomia por 50 anos após a transferência, sob o princípio "um país, dois sistemas".

Pequim e Lee dizem que esse princípio permanece intacto, embora seus críticos e potências ocidentais digam que ele já foi destruído.

Lee é um dos 11 altos funcionários de Hong Kong e Pequim sancionados pelos Estados Unidos pela repressão política.


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