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Estado de Minas EREVAN

Novos protestos da oposição na Armênia terminam com 200 prisões


03/05/2022 12:42

Mais de 200 pessoas foram detidas em várias cidades da Armênia, nesta terça-feira (3), durante manifestações da oposição, que acusa o primeiro-ministro Nikol Pashinian de querer abandonar o enclave separatista de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão.

O Ministério do Interior anunciou que 206 manifestantes foram detidos em Yerevan e em várias cidades nos arredores, onde os manifestantes tentaram bloquear o tráfego nas ruas, exigindo que Pashinian renunciasse.

As manifestações reunindo milhares de pessoas a pedido da oposição continuam desde domingo para exigir a renúncia do primeiro-ministro. Estes são os maiores protestos contra o governo desde as eleições de setembro de 2021, vencidas pelo partido de Pashinian.

Os serviços de segurança armênios alertaram para "uma ameaça real de agitação no país". Já o presidente do Parlamento, Alen Simonian, aliado de Pashinian, minimizou o risco de instabilidade, dizendo que não há "crise política".

"As forças políticas que perderam as eleições parlamentares em 2021 estão tentando agressivamente organizar uma onda de protestos, mas nossos cidadãos já se decidiram e vão se afastar de suas tentativas", disse ele nesta terça-feira.

"Panishian é um traidor e os protestos de rua em andamento, que estão aumentando, vão forçá-lo a renunciar", declarou por sua vez o vice-presidente do Parlamento e líder da oposição, Ichkhan Sagatelian.

Sagatelian anunciou uma manifestação esta noite no centro de Yerevan, onde milhares de pessoas já haviam se reunido no domingo e na segunda-feira para denunciar a política complacente, segundo a oposição, de Pashinian em relação ao Azerbaijão e a Nagorno-Karabakh.

"Nikol deve partir, porque ele é um símbolo da derrota, e a Armênia não tem futuro com um líder assim", exclamou o manifestante Sergei Hovhannissian, um ferreiro de 57 anos.

"Ele está pronto para abandonar Karabakh, pelo qual derramamos nosso sangue", disse, indignado, à AFP.

Região disputada pelos dois países há 30 anos, Nagorno-Karabakh foi palco em 2020 de uma guerra de seis semanas que deixou mais de 6.500 mortos antes de um cessar-fogo negociado pela Rússia.

Como parte desse acordo, a Armênia cedeu faixas inteiras de território que controlava desde a primeira guerra vitoriosa no início dos anos 1990. Agora, uma força de paz russa de 2.000 homens está implantada em Nagorno-Karabakh.

Em abril, o primeiro-ministro armênio declarou no Parlamento que "a comunidade internacional apela à Armênia para que reduza suas exigências sobre Nagorno-Karabakh". A oposição denunciou tais declarações como reveladoras do desejo de ceder todo este território para o Azerbaijão.

Visto na Armênia como uma humilhação nacional, o acordo de cessar-fogo provocou semanas de protestos contra o governo, levando Pashinian a convocar eleições parlamentares antecipadas que foram vencidas em setembro por seu partido.

Os separatistas armênios de Nagorno-Karabakh se separaram do Azerbaijão quando a União Soviética entrou em colapso em 1991. O conflito resultante deixou cerca de 30.000 mortos.


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