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Estado de Minas PARIS

Emmanuel Macron, um reformista convicto para tempos turbulentos na França


20/04/2022 10:12

Desde que chegou ao poder em 2017, o presidente francês, Emmanuel Macron, enfrentou duros protestos contra suas reformas e uma pandemia global, com a mesma determinação com a qual agora tenta derrotar novamente a extrema-direita.

"Pensem no que falavam os cidadãos britânicos algumas horas antes do Brexit, ou nos Estados Unidos, antes da votação em (Donald) Trump: 'Não vou comparecer, qual o sentido?' Posso dizer que no dia seguinte se arrependeram", advertiu, recentemente.

Meses antes de chegar ao Palácio do Eliseu, Macron já avisara que seria um "presidente jupiterino", expressão que, segundo o dicionário Larousse, evoca o "caráter dominador e autoritário" do deus romano Júpiter. E não decepcionou.

A crise dos "coletes amarelos" foi seu expoente máximo. Deflagrado em 2018 pelo aumento dos preços dos combustíveis, este protesto se espalhou por toda França para denunciar as medidas deste ex-executivo do setor bancário contra as classes populares.

A mobilização sustentou sua imagem de "presidente dos ricos" e desconectado da realidade, conquistada e reforçada com frases polêmicas. Entre elas, quando Macron disse que, nas estações de trem, "você encontra pessoas que fizeram sucesso e pessoas que não são nada".

"Acredito que cheguei [ao poder] com uma vitalidade que espero continuar tendo e com vontade de sacudir" o sistema, justificou-se em dezembro durante uma entrevista sobre seu mandato, na qual reconheceu "erros".

- "Estamos em guerra" -

A partir de 2020, a pandemia de coronavírus acabou com os protestos em uma nova França de confinamentos e de máscaras e estimulou o perfil mais "jupiterino" de Macron: "Estamos em guerra" contra a covid-19, destacou então.

Sua gestão personalista da pior crise desde a Segunda Guerra Mundial rendeu ataques da oposição e, apesar da resistência inicial da população, soube ganhar sua confiança e impôs medidas polêmicas, como o passaporte sanitário.

"As crises exigem uma hiperpresidencialização [...]. Nesses momentos, Macron está como um peixe na água", ao contrário de quando o "mar está calmo", analisou recentemente a jornalista Corinne Lhaïk no jornal L'Opinion.

A atual ofensiva russa na Ucrânia representa mais uma crise que trouxe à tona a hiperliderança do presidente centrista que, apesar de fracassar em sua tentativa de evitar a guerra, reforçou sua imagem internacional entre os franceses.

Agora está concentrado em evitar a chegada ao poder de Marine Le Pen, sua rival de extrema-direita no segundo turno de 24 de abril, um objetivo que parece ter assegurado ao abrir uma vantagem de até 12 pontos nas pesquisas de intenção de voto.

Este jovem político era relativamente desconhecido até sua nomeação como ministro da Economia em 2014 pelo então presidente francês, François Hollande, depois de atuar como seu conselheiro econômico.

Três anos depois, Emmanuel Macron, nascido em 1977 em Amiens (norte) em uma família de classe média, tornou-se o mais jovem presidente eleito da França, aos 39 anos, ao final de uma ascensão meteórica de um homem com pressa.

- "Brilhante e carismático" -

Em 1995, formou-se com honras no prestigioso Liceu parisiense Henry IV, após o qual obteve o título de mestre em Filosofia. Durante seus anos de faculdade, trabalhou como assistente editorial do renomado filósofo francês Paul Ricoeur.

Nos seus tempos de estudante, já era "brilhante e carismático", "um bom orador", "com um perfil à la Barack Obama", disse em 2016 Julien Aubert, seu colega na Escola Nacional de Administração (ENA), o antigo centro de formação das elites.

Na época, já havia encontrado o amor de sua vida. Aos 16 anos, apaixonou-se por sua professora de Teatro, Brigitte Trogneux, 24 anos mais velha e mãe de três filhos, que se divorciou do marido. Os dois se casaram em 2007, uma história que cativou a imprensa.

Se for reeeleito, o líder europeísta terá de completar seu ambicioso programa de reformas interrompido pela pandemia, em linha com o que é recomendado pela Comissão Europeia para estabilizar sua economia.

Entre suas promessas para transformar a França, estão o "renascimento" da energia nuclear, alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e aumentar a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos, embora tenha se declarado disposto a elevar a idade para 64 anos, em uma tentativa de atrair o eleitorado de esquerda.


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