Jornal Estado de Minas

LIMA

Greve parcial de transporte causa bloqueio de rotas e suspensão de aulas no Peru

Uma greve parcial dos transportes de carga e de passageiros causou nesta segunda-feira (4) bloqueios de estradas e suspensão das aulas no Peru, na primeira paralisação contra o governo do presidente Pedro Castillo.



Os protestos afetam Lima e as regiões de Piura, Chiclayo, La Libertad, Junín, Ica, Arequipa, San Martín, Amazonas e Ucayali, entre outras, e levaram à suspensão das aulas nas escolas pela restrição do transporte público.

"O trânsito permanece restringido nas diferentes rodovias do país, devido à greve dos transportadores de carga pesada", informou a Superintendência de Transporte Terrestre de Pessoas, Carga e Mercadorias (Sutran).

No distrito de Ate, a leste de Lima, a polícia lançou bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes que montaram barricadas com pneus queimados e pedras que impediam a circulação na rodovia central, que liga a capital peruana com a serra andina central.

A União dos Sindicatos de Transporte Multimodal do Peru protesta contra o aumento dos preços dos combustíveis e pedágios. A paralisação vai até terça-feira.

O protesto ocorre no momento em que o Peru também sofre com o aumento dos preços dos alimentos.



Em Ate, diversos veículos tiveram os vidros quebrados depois que foram atacados com pedras, informaram meios locais.

Nas regiões de Ica (sul) e Junín (leste), foram registrados saques em estabelecimentos comerciais e farmácias, segundo imagens difundidas por emissoras locais. Em Ica, que fica cerca 300 km ao sul de Lima, foram queimadas algumas cabines de pedágio na rodovia Pan-Americana.

Em uma tentativa de apaziguar os protestos, o governo eliminou no fim de semana o imposto sobre os combustíveis.

O presidente Castillo, que está há oito meses no cargo, também decretou um aumento de 10% no salário-mínimo, que subirá para 1.025 sóis (cerca de 277 dólares) a partir de 1º de maio.

A Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP), a principal central sindical do país, rejeitou o percentual de aumento salarial, indicando que o mesmo é insuficiente e convocou seus filiados a protestar na próxima quinta-feira.

Estes protestos são os primeiros de grande dimensão contra Castillo e ocorrem uma semana depois de ele superar uma moção de destituição no Congresso.

A desaprovação de Castillo é de 66%, segundo uma pesquisa do instituto Ipsos feita em março.

IPSOS