(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas COLOMBO

Presidente do Sri Lanka convida oposição a compor governo de unidade


04/04/2022 09:45

O presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, convidou a oposição, nesta segunda-feira (4), a entrar para um governo de unidade, em meio aos protestos que pedem sua renúncia, devido ao agravamento da crise econômica na ilha.

"O presidente convida todos os partidos políticos do Parlamento que aceitem cargos no gabinete a se unirem em um esforço para buscar soluções para a crise nacional", anunciou sua assessoria em um comunicado, após a renúncia de seu gabinete no domingo (3).

Milhares de pessoas participaram de novas manifestações espontâneas nesta segunda-feira em cidades e povoados.

Na noite de domingo, o governo do Sri Lanka renunciou por completo, com exceção do presidente e de seu primeiro-ministro, Mahinda Rajapaksa, irmão mais velho de Gotabaya.

Nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central também anunciou sua demissão, em um dia em que a Bolsa de Colombo abriu com perdas de 5,92%, devido à incerteza. O mercado financeiro interrompeu suas operações por meia hora, com um mecanismo técnico diante do caos.

Esta ilha de 22 milhões de habitantes, no sul da Índia, está sofrendo uma grave escassez de alimentos, de combustível e de outros itens essenciais, além de acumular uma inflação recorde e apagões. Trata-se da pior crise nacional desde sua independência do Reino Unido em 1948.

O governo pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas as negociações podem durar até o final do ano.

- Novos ministros -

Nesta segunda-feira, o presidente nomeou novamente quatro dos atuais ministros, incluindo três em seus cargos antigos. Também substituiu seu irmão Basil na pasta das Finanças pelo ex-ministro da Justiça.

Os outros cargos vagos do governo serão decididos após negociações com a oposição, declarou ele, apesar de a oposição não ter reagido até o momento.

Para os analistas políticos, a proposta de um governo de unidade não é suficiente para resolver a crise econômica nem para restabelecer a confiança no governo de Rajapaksa.

"É como reorganizar as espreguiçadeiras do Titanic", disse à AFP Bhavani Fonseka, analista política e advogada, especialista em direitos humanos. "É uma piada", afirmou.

Para Viktor Ivan, comentarista político entrevistado pela AFP, uma reorganização ministerial não é aceitável quando o povo exige a renúncia de Rajapaksa.

"O que é necessário é um programa de reforma sério, não só para relançar a economia, mas também para enfrentar os problemar de governar", destacou.

- Novas manifestações -

As autoridades colocaram o exército e a polícia em estado de alerta máximo, em meio a informações dos serviços de inteligência que advertem sobre a ocorrência de novos incidentes, disse à AFP uma fonte de alto escalão das forças de segurança.

Milhares de pessoas se manifestaram nas ruas de Tangalle, uma cidade no sul do país e reduto dos Rajapaksa, para pedir a renúncia da família, segundo a polícia.

Apesar do toque de recolher imposto para o fim de semana depois que uma multidão tentou invadir a casa do presidente na quinta-feira (31), centenas de pessoas voltaram às ruas em várias cidades da ilha para protestar, na noite de domingo, contra a gestão da crise por parte do Executivo de Rajapaksa.

O toque de recolher de domingo, que durou o dia todo, impediu a organização de manifestações mais importantes, graças ao bloqueio das redes sociais Twitter, Facebook, Whatsapp, YouTube e Instagram, denunciou a principal aliança da oposição, a Samagi Jana Balawegaya (SJB).

A censura das redes sociais foi retirada mais tarde, ainda no domingp, após ser considerada ilegal pela Comissão de Direitos Humanos. Ativistas afirmaram que protestos pela renúncia de Rajapaksa e seu clã vão acontecer, nesta segunda, em várias cidades importantes do país.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)