Jornal Estado de Minas

HAVANA

ONG pede comutação de penas de prisão de mães presas pelo 11-J em Cuba

O grupo de defesa dos direitos humanos Justiça 11J pediu nesta terça-feira (8) ao governo cubano a comutação das penas de prisão de mães presas nas manifestações de 11 de julho.



A organização fez um apelo neste Dia Internacional da Mulher "sobre o alto número delas que foram detidas e processadas por sua participação nos protestos de julho".

Em um comunicado divulgado em sua página no Facebook, o Justiça 11J informou que das 1.417 pessoas documentadas como detidas, 214 são mulheres e 22 delas têm filhos.

O grupo apelou às regras das Nações Unidas para o tratamento de detentas, que dão prioridade "à aplicação de medidas não privativas de liberdade às mulheres, em especial àquelas com filhos".

Neste sentido, destacou uma lista de 20 mulheres que protestaram em 11 e 12 de julho passado, para as quais os promotores pediram penas de 10 a 25 anos de prisão.

Entre elas, está Katia Beirut Rodríguez, mãe de um menino de nove anos que os juízes condenaram a 20 anos de prisão.

Segundo o expediente ao qual a AFP teve acesso, Beirut Rodríguez gravou com seu celular para "publicar tudo o que estava acontecendo e, assim, conseguir a adesão de mais pessoas", transmitindo ao vivo.



A petição da Justiça 11J diz que tanto Katia, quanto Gabriela Zequeira, que foi absolvida, e Amanda Dalai Matamoros sofreram violência sexual na prisão, enquanto outras duas mulheres foram vítimas de tratamentos degradantes por serem negras.

O governo cubano informou em 25 de janeiro que 790 pessoas, incluindo 55 menores de 18 anos, foram processadas por participarem dos protestos de julho. Outras 172 tinham sido condenadas até então.

Nesta segunda começou um novo julgamento contra 33 manifestantes na comunidade de Güira de Melena, na província de Artemisa (centro). Entre os processados há dois menores de 18 anos, segundo a Justiça 11J.

Além deles está Lizandra Góngora, uma opositora mãe de cinco filhos que, segundo esta organização, foi vítima de violência política por pertencer ao Partido Republicano de Cuba.

Milhares de pessoas foram às ruas em 11 e 12 de julho, sob os slogans "Liberdade" e "Temos fome", em cerca de 50 cidades da ilha inconformadas com a escassez de alimentos e remédios e os apagões constantes no pior momento da pandemia.