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Estado de Minas PARIS

Entre a pandemia e a guerra, bancos centrais buscam seu norte


08/03/2022 08:28

Seguir políticas monetárias de ajuste, ou fechar a torneira, com o risco de frear o crescimento econômico? Depois de dois anos de incertezas pela da pandemia da covid-19, os bancos centrais seguem navegando sem prumo, devido à guerra na Ucrânia e à inflação.

"Até recentemente, os bancos centrais não podiam se envolver em um mundo pós-covid, sob o risco de parecerem otimistas demais", diz à AFP William de Vijlder, economista-chefe do BNP Paribas. E "a situação atual é muito mais difícil", completa.

A invasão lançada por Vladimir Putin na Ucrânia e as sanções econômicas impostas pelo Ocidente contra a Rússia provocaram um aumento dos preços do petróleo, do gás, do trigo e de outras matérias-primas, além de agravar as dificuldades nas cadeias de abastecimento.

"Os efeitos da crise a curto prazo são inflacionários, mas, sobre o crescimento, é mais difícil de discernir, e isto torna a tarefa dos bancos centrais muito complicada", indicam os analistas do banco americano Wells Fargo.

É o caso, em particular, do Banco Central Europeu (BCE), com a guerra dentro do continente e a forte deterioração das relações econômicas com a Rússia.

"Antes da guerra, o BCE já tentava evitar a deterioração da recuperação econômica", afirma Gregory Clayes, economista do instituto belga Bruegel, apontando que "a situação atual complica mais as coisas".

Antes das primeiras bombas, a entidade sediada em Frankfurt parecia disposta a parar, progressivamente, a compra de dívida pública este ano e a aumentar as taxas de juros pela primeira vez desde 2011.

A invasão à Ucrânia complica esta perspectiva e pode levar a um reajuste de políticas na reunião de quinta-feira de seu conselho de governança.

O BCE "já se movia em um ritmo diferente de saída da pandemia" em relação ao Federal Reserve americano, lembra Neil Wilson, da Markets.com. "A assimetria com que a situação na Ucrânia afeta os Estados Unidos e a Europa irá ampliar essa diferença", acrescenta.

- Pressão inflacionária na América Latina -

O Fed conta, porém, com "uma série de aumentos" das taxas de juros após um primeiro aumento em março. É "muito cedo" para decidir se a guerra mudará as coisas, disse seu presidente, Jerome Powell.

Para o Fed, "é mais fácil", considera George Clayes, porque goza de um crescimento forte, de emprego quase pleno e de uma forte inflação vinculada mais à demanda interna do que ao aumento dos preços da energia, diferentemente da Europa.

Preocupados com a escalada de preços das matérias-primas e com os problemas nas cadeias de abastecimento, bancos centrais de diversos países emergentes também aumentaram suas taxas de juros, ainda que isso possa ter impacto na recuperação econômica.

A situação pode se manter, porque "a guerra na Ucrânia reforçará as pressões inflacionárias em quase todos os países emergentes" e, particularmente, na América Latina, explicou Shilan Shah, economista para Índia na Capital Economics.

O Banco Central do Brasil elevou suas taxas várias vezes no ano passado, até o patamar de 10,75%, mesmo que tenha debilitado o dinamismo econômico do país, cuja estimativa de crescimento para esse ano é de 0,3%.

WELLS FARGO & COMPANY

BNP Paribas


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