Jornal Estado de Minas

NAÇÕES UNIDAS

Isolada no Conselho de Segurança, Rússia veta condenação de 'agressão' à Ucrânia'

Com o veto da própria Rússia e a abstenção de China, Índia e Emirados Árabes Unidos, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, promovida por Estados Unidos e Albânia para condenar a invasão russa da Ucrânia ficou sem efeito, na sexta-feira (25).



A resolução recebeu o voto favorável de 11 dos 15 membros, mas o veto da Rússia deixou o texto sem valor, apesar de o mesmo ter sido suavizado para "garantir" abstenções e impedir que estes três países votassem contra, segundo um diplomata.

A Rússia é um dos cinco membros permanentes do mais alto órgão decisório da ONU, junto com Estados Unidos, China, França e Reino Unido.

O veto russo é "uma mancha de sangue em seu emblema no Conselho de Segurança", reagiu no Twitter o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky. "A verdade está conosco, a vitória será nossa", completou.

Após o fracasso da resolução, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que os "soldados retornem aos quartéis", e aos líderes, "o diálogo". Embora "hoje o objetivo não tenha sido alcançado, temos que dar uma nova chance à paz", declarou.

A palavra "condenar" foi retirada do texto proposto e substituída por "deplorar", uma referência ao Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que prevê um possível recurso à força, também suprimido.

Copatrocinado por 81 países, o texto também pedia à Rússia para "cessar imediatamente o uso da força" e "abster-se de qualquer ameaça ilegal, ou uso de força contra um Estado-membro da ONU".



A resolução pedia que a Rússia "retirasse imediata, completa e incondicionalmente" suas forças militares da Ucrânia e "revertesse" a decisão de reconhecer a independência das províncias do leste ucraniano de Donetsk e Luhansk, em guerra, uma vez que "viola a integridade territorial".

"Não é tarde demais para parar essa loucura", pediu o embaixador albanês, Ferit Hoxha, ao defender o texto.

Já a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, advertiu que o ataque da Rússia "aos nossos princípios fundamentais é tão ousado, tão desavergonhado, que ameaça o sistema internacional tal qual o conhecemos".

- Minuto de silêncio -

O embaixador ucraniano nas Nações Unidas, Sergiy Kyslytsya, segundo quem a votação revelaria "quem está do lado bom", pediu um minuto de silêncio pelas vítimas do ataque russo (mais de 100 mortos, segundo Kiev), que foi seguido de aplausos.



Após a rejeição do Conselho de Segurança, um texto semelhante poderá ser enviado à Assembleia Geral das Nações Unidas, onde as resoluções não são vinculantes e não há direito de veto para nenhum de seus 193 membros.

- Isolamento -

O uso do veto por parte da Rússia, que era o "juiz" e parte da reunião, uma vez que ostenta a presidência mensal do órgão, apenas revela seu isolamento no cenário internacional, disse um funcionário americano, que pediu para não ser identificado, antes do início da reunião.

Negociações diplomáticas intensas foram realizadas desde ontem para convencer Índia e Emirados Árabes Unidos, dois membros não permanentes do Conselho de Segurança, a votarem a favor do texto, relataram diplomatas.

Desde o início da invasão militar à Ucrânia, na madrugada de ontem, a Rússia alega agir em legítima defesa, apoiada no artigo 51 do documento fundador da organização, exigindo que a Ucrânia desista de sua ambição de aderir à Organização do Tratadodo Atlântico Norte (OTAN) e que a Aliança Atlântica reduza sua presença no Leste Europeu.

Para o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, que tomou a palavra após a rejeição ao texto, afirmou que "esse documento vai contra o povo ucraniano, pois tenta salvar o regime que levou o país à tragédia".