Jornal Estado de Minas

BERLIM

Festival de Berlim quer público de volta e conciliar cinema comercial e de autor

O primeiro grande festival de cinema do ano começou nesta quinta-feira (10), em Berlim, com o propósito de abrir as portas ao público, com precaução, e de conciliar o cinema comercial com o de autor - afirmou o júri.



A Berlinale é um evento que se vangloria de ocupar dezenas de salas de cinema na cidade e de vender milhares de ingressos a cada ano.

Nesta 72ª edição, porém, teve sua duração reduzida para seis dias, e a capacidade das salas também será menor, com reserva obrigatória.

A noite de abertura tem a exibição de "Peter Von Kant", do francês François Ozon, uma espécie de homenagem ao filme "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant" (1972), de Rainer Werner Fassbinder.

"O papel da Berlinale é declarar que não há diferença entre o cinema comercial e o de autor", declarou o cineasta japonês Ryusuke Hamaguchi, em uma entrevista coletiva.

Sua opinião é compartilhada por outros membros do júri, presidido pelo cineasta M. Night Shyamalan.

"Quando você olha para a história (do cinema), não havia diferença entre as duas categorias", acrescentou Hamaguchi, um dos grandes nomes do cinema japonês atual, que viu seu filme mais recente, "Drive My Car" receber quatro indicações ao Oscar.



"Quando você faz um filme comercial, supõe-se que a história deva ser apenas para o público, para chocá-lo, ou fazê-lo rir", resumiu Shyamalan, diretor de sucessos como "O Sexto Sentido".

"O cinema independente é o de uma pessoa específica, uma nova perspectiva sobre o mundo. Você sai do cinema mudado, não é mais o mesmo - embora seja mais difícil", acrescentou.

"Minha esperança é que as pessoas possam ver um pouco de mim (nos meus filmes) e que eu também consiga vê-los neles", explicou.

- Homenagem a Isabelle Huppert -

Poucas estrelas devem comparecer a Berlim. A francesa Isabelle Huppert, atriz que se destaca por seus papéis arriscados e controversos, receberá um prêmio pelo conjunto de sua carreira.

O júri deve anunciar o tradicional Urso de Ouro de melhor filme em 16 de fevereiro.

A edição de 2021 da Berlinale aconteceu de maneira virtual, um formato que foi decepcionante para a crítica e para o público.

O Festival de Berlim deste ano "é um exercício de resistência", afirmou o diretor artístico Carlo Chatrian.



"Apenas quando os filmes são assistidos pelas pessoas (...) é que essa cultura (cinematográfica) tem todo seu efeito", afirmou a diretora-executiva do evento, Mariette Rissenbeek.

Além do francês Ozon, outros cineastas famosos disputam o Urso de Ouro, como a francesa Claire Denis ("Avec amour et acharnement"), Ursula Meier ("The Line") ou o sul-coreano Hong Sangsoo ("So-Seol-Ga-Ui Yeong-Hwa").

Dezoito filmes estão na mostra oficial.

Nome consagrado do cinema de suspense, o italiano Dario Argento apresenta "Occhiali Neri", fora de concurso. Ele dirige a filha Asia, que revelou, em um livro publicado no ano passado, seu traumático início na carreira de atriz.

A Berlinale dá amplo espaço para filmes experimentais e novos nomes, com vários eventos paralelos à mostra oficial.

"Mato seco em chamas", uma coprodução de Brasil e Portugal, dirigida por Adirley Queirós e Joana Pimenta, será exibido na mostra Fórum.

A imprensa alemã criticou a organização do evento, em um momento de aumento de contágios de covid-19 pela variante ômicron.

O festival pode se tornar uma "catástrofe", se virar um "evento supercontagioso", criticou o jornal Berliner Morgenpost, enquanto Die Zeit classificou o evento de "irresponsável".