O Departamento de Estado dos EUA disse na sexta-feira que estava restabelecendo derrogações importantes que protegiam países e empresas estrangeiras envolvidas em projetos nucleares não militares da ameaça de sanções dos EUA.
A medida dos EUA é tomada como um passo técnico necessário para retornar ao acordo assinado em 2015 entre o Irã e as grandes potências mundiais.
A retomada das negociações, interrompidas em 2020 pelo ex-presidente republicano Donald Trump, permite que outros países e empresas participem do programa nuclear civil do Irã sem sanções dos EUA, em nome da promoção da segurança e da não proliferação nuclear.
A iniciativa tomada pelo governo de Joe Biden parece um gesto generoso em relação ao Irã, à medida que as negociações para salvar o acordo nuclear iraniano de 2015 entram na reta final em Viena.
"A suspensão de algumas sanções pode, no verdadeiro sentido da palavra, se traduzir em boa vontade. Os americanos falam sobre isso, mas você precisa saber que o que está no papel é bom, mas não o suficiente", disse Hossein Amir Abdollahian para a agência de notícias ISNA.
- Fase final em Viena -
Em resposta às sanções dos EUA, as autoridades iranianas se libertaram progressivamente das restrições do Acordo sobre suas atividades nucleares.
O presidente Biden quer retornar ao acordo de 2015 para garantir que as atividades iranianas permaneçam estritamente civis e pacíficas, desde que o Irã também renove seus compromissos.
O almirante Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, deu pouca credibilidade ao anúncio dos EUA.
"Não consideramos esta demonstração de levantamento de sanções como um gesto construtivo", disse ele em um rede social.
"Vantagens econômicas reais, efetivas e concretas para o Irã são uma condição necessária para chegar a um acordo", acrescentou. Desde que foram aplicadas as sanções dos EUA mergulharam o Irã em uma crise econômica e social.
O negociador russo Mikhail Ulyanov elogiou a decisão dos EUA no Twitter no sábado como "um passo na direção certa".
Isso permitirá "acelerar a restauração do acordo" de 2015 concluído em Viena entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia) mais a Alemanha, e pode indicar que as negociações "entrem em sua fase final", completou.
As negociações em curso desde a primavera passada em Viena, coordenadas pela União Europeia, estão ocorrendo entre os iranianos e as grandes potências (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia), com a participação indireta dos Estados Unidos.