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Estado de Minas NOVA YORK

Nova York homenageia policial assassinado, símbolo de aumento da violência


28/01/2022 15:37

Nova York rendeu nesta sexta-feira (28) uma homenagem a um dos dois jovens policiais assassinados há uma semana em um tiroteio no Harlem, símbolo do aumento da violência na megalópole que o novo prefeito Eric Adams quer interromper com uma política mais repressiva.

Milhares de pessoas, a maioria delas policiais uniformizados vindos de todo o país, se aglomeraram em frente à Catedral de São Patrício e ao longo de aproximadamente dois quilômetros da 5ª Avenida, em Manhattan, sob uma chuva congelada persistente, prelúdio da forte tempestade anunciada para este fim de semana, conforme constatou a AFP.

Diante de funcionários, familiares e policiais que assistiram à missa para Jason Rivera, de 22 anos, o prefeito Adams enalteceu a memória de um agente que chamou de "herói".

"Seu irmão foi um herói", disse o prefeito, que é ex-capitão da polícia de Nova York, em um ambiente carregado de emoção.

Ao término da missa, o silêncio tomou conta da habitualmente barulhenta 5ª Avenida durante a passagem do carro funerário com o corpo do jovem policial rumo ao cemitério para ser sepultado.

É um dia "muito triste, triste por ele, por sua família", disse à AFP um policial negro que não quis dizer seu nome e que assegurou que ele "lamentavelmente não será o último".

- 'Os ânimos estão baixos' -

"É difícil, ele era meu amigo, nos formamos ao mesmo tempo, não quero falar disso", confessou uma policial de origem mexicana, que também não quis revelar seu nome, assim como todos os outros agentes entrevistados.

Durante o cortejo fúnebre, apesar de se tratar de um grupo majoritariamente vacinado por imposição das autoridades, praticamente ninguém usava máscara.

Rivera foi assassinado em 21 de janeiro por um homem de 47 anos ao comparecer a um apartamento no Harlem após uma denúncia de uma briga familiar violenta.

O atirador morreu na segunda-feira por causa dos ferimentos sofridos e um segundo policial, Wilbert Mora, de 27 anos, também não resistiu e faleceu na terça-feira.

As mortes violentas dos jovens policiais aumentam a pressão sobre o novo prefeito Eric Adams, um ex-capitão de polícia afro-americano de Nova York, e também o descontentamento e a frustração entre os policiais.

"É o momento mais difícil em mais de 20 anos de carreira", confessou à AFP um sargento que pediu anonimato. "Os ânimos estão baixos e muita gente está pensando em se aposentar ou até mesmo em deixar a polícia", disse, frustrado pelas "novas leis restritivas e regulamentos internos".

- Cinco policiais mortos -

Cinco policiais - incluídos os dois que interviram no Harlem - foram baleados na megalópole de quase 9 milhões de habitantes desde 1º de janeiro, ressaltou Adams na semana passada, um integrante da ala mais à direita do Partido Democrata que assumiu o cargo com a promessa de lutar contra a insegurança.

O segundo prefeito afro-americano na história de Nova York anunciou na segunda-feira o restabelecimento das patrulhas de policiais à paisana, "unidades anticrime" rebatizadas como "unidades antiarmas", que foram desarticuladas em 2020 após a morte do afro-americano George Floyd, assassinado por um policial branco em Minneapolis.

Sob a gestão do magnata Michael Bloomberg (2002-2013), esses policiais foram denunciados por suas operações polêmicas contra jovens negros e latinos suspeitos de portar armas.

Além dos casos contra policiais, a violência tem ressurgido na 'Big Apple' como um todo, algo que se acreditava pertencer ao passado.

Em 14 de janeiro, também no Harlem, uma porto-riquenha de 19 anos foi assassinada a tiros por um ladrão no restaurante de 'fast food' em que ela trabalhava.

No dia seguinte, uma mulher asiático-americana de 40 anos foi empurrada sobre a linha do metrô por um mendigo esquizofrênico quando um trem chegava em alta velocidade à estação de Times Square.

Na terça-feira, em pleno meio-dia, um homem de 35 anos foi ferido por disparos dentro da emergência de um hospital no Bronx.

A violência armada em Nova York aumentou 4,3% em 2021 em comparação com 2020, ano em que o índice já havia crescido em relação ao anterior.

O presidente Joe Biden viajará a Nova York em 3 de fevereiro para falar de sua estratégia de "luta contra a violência", em um país onde existem mais de 400 milhões de armas de fogo nas mãos de particulares, que são uma das principais causas de morte.

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