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Estado de Minas HONG KONG

Surto de covid em Hong Kong expõe falhas no sistema de quarentena


28/01/2022 09:33

A longa quarentena imposta aos viajantes que chegam a Hong Kong está sendo questionada após o aparecimento de um surto de covid-19 que começou com uma mulher infetada num hotel onde ficou confinada depois de chegar ao território.

Hong Kong mantém uma estratégia de "covid zero", em linha com a política imposta pela China continental. Esta estratégia permitiu manter um nível de contágio muito baixo, mas na prática isolou este centro financeiro do resto do mundo.

Na quinta-feira, a chefe do Executivo local, Carrie Lam, anunciou que a quarentena de 21 dias imposta à grande maioria dos viajantes que chegam a Hong Kong será reduzida para 14 dias, devido à menor duração do período de incubação da variante ômicron, que agora é a dominante.

Mas nos últimos dias, um grande foco foi detectado em um conjunto habitacional após o contágio de uma mulher que voltava do Paquistão, pouco antes de sair de um dos 40 hotéis que recebem viajantes que chegam do exterior.

Alguns especialistas de Hong Kong salientaram que a longa duração da quarentena, que é uma das mais longas do mundo, pode aumentar o risco de "contaminação cruzada".

"Os hotéis reservados para quarentena não atendem às expectativas e os viajantes estão expostos a contrair covid-19", disse Siddharth Sridhar, especialista em microbiologia da Universidade de Hong Kong.

Ben Cowling, epidemiologista da mesma universidade, há muito argumenta que 21 dias não é cientificamente justificado e que apresenta alguns riscos.

Nos últimos meses, vários casos de infecção cruzada foram detectados em hotéis, mas todos eles puderam ser detectados antes que as pessoas infectadas deixassem as instalações.

"Não é surpreendente ter uma recuperação epidêmica. O que surpreende é ter passado seis meses sem casos", disse Cowling, referindo-se aos casos no segundo semestre de 2021.

"Acho que nossa sorte acabou", declarou.

O governo de Hong Kong sustenta que a política de covid zero tem o apoio de grande parte da população, mas vários indícios apontam em contrário.

- Fuga de talentos -

De acordo com um estudo realizado em janeiro pelo Partido Democrático de Hong Kong, 65% da população quer "viver com o vírus", contra 42% que afirmava essa posição em novembro.

Mas até agora, o governo não deu sinais de querer abandonar essa estratégia.

O setor empresarial, no entanto, soou o alarme de que há uma fuga de cérebros e que está enfrentando problemas de recrutamento.

De acordo com a Câmara de Comércio Europeia em relatório vazado pela Bloomberg News, esse território poderia manter essa política de isolamento até 2024.

"Prevemos um êxodo de estrangeiros, provavelmente o maior que Hong Kong já registrou".

O jornal de negócios britânico Financial Times informou esta semana que o Bank of America, um dos principais players do setor financeiro, está pensando em transferir seus funcionários para Singapura.

Desde as massivas manifestações pró-democracia de 2019, o executivo de Honk Kong alinhou-se com Pequim em vários eixos, desde a política anticovid à repressão à dissidência.

Lam fez da reabertura da fronteira com a China continental uma prioridade. Mas Pequim, enfrentando surtos esporádicos, não parece ter pressa.

"Num momento em que, em todo o planeta, é o começo do fim da pandemia, em Hong Kong é o fim do começo", escreveu Sridhar no Facebook.

A campanha de vacinação não avançou, apesar da abundância de doses. Apenas 70% da população elegível está totalmente vacinada e menos da metade das pessoas com mais de 70 anos, que são as mais vulneráveis, já recebeu duas doses.

BANK OF AMERICA


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