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Estado de Minas MOSCOU

Rússia inclui opositor Navalny na lista de 'terroristas e extremistas'


25/01/2022 08:42

A Rússia incluiu o principal opositor do governo, Alexei Navalny, na lista de "terroristas e extremistas", em mais um capítulo na repressão às vozes críticas ao poder do Kremlin.

Navalny, que está preso há mais de um ano, e uma de suas principais colaboradoras que está no exílio, Liubov Sobol, foram incluídos na lista do Rosfinmonitoring, o serviço de vigilância financeira do país.

De acordo com o Fundo de Luta contra a Corrupção, organização de Navalny, proibida desde junho pelas autoridades, pelo menos outras nove pessoas vinculadas ao movimento foram adicionadas à lista.

A decisão se enquadra em um contexto de crescente repressão à oposição no país, tanto contra políticos como a meios de comunicação e personagens da sociedade civil críticos ao presidente Vladimir Putin.

Em meados de janeiro, outros dois importantes colaboradores de Navalny, Ivan Khdanov e Leonid Volkov, também no exílio, já haviam sido incluídos na lista de 'terroristas e extremistas'.

Neste catálogo há milhares de pessoas e organizações proibidas na Rússia, como por exemplo o grupo Estado Islâmico, ou os talibãs afegãos.

- Aumento da pressão -

Navalny foi detido em 17 de janeiro de 2021 ao desembarcar em Moscou. Ele passou meses em tratamento na Alemanha, após ser envenenado na Sibéria, um crime que o opositor atribui a Putin.

A Rússia não abriu uma investigação sobre a tentativa de homicídio e afirma que não há provas, uma vez que afirma que a Alemanha não compartilhou os exames médicos feitos em Navalny.

Em seu retorno à Rússia, o opositor do Kremlin, de 45 anos, foi condenado a dois anos e meio de prisão por um caso de "fraude". Ele denuncia esta acusação como puramente política.

Sua condenação provocou uma enxurrada de críticas internacionais e novas sanções ocidentais contra Moscou.

Instituições importantes, como o Parlamento Europeu, expressaram apoio a Nalvany, que recebeu em 2021 o prêmio Sakharov de defesa da liberdade de consciência.

Apesar de estar na prisão, Navalny continua a convocar os russos para que permaneçam firmes. Ele declarou este mês que "não se arrepende nem por um segundo" por ter retornado ao país.

A detenção do opositor provocou vários protestos no ano passado, mas as manifestações foram reprimidas com violência.

Em junho, seu movimento político foi proibido e acusado de "extremismo". O próprio Navalny é alvo de novos processos judiciais por acusações de "extremismo", o que pode resultar em sentenças de vários anos de prisão.

A repressão aos partidários de Navalny foi seguida por uma campanha contra meios de comunicação críticos e ONGs, que foram designadas "agentes estrangeiros", uma denominação que afeta seu trabalho e as expõe a problemas legais.

Em dezembro, a emblemática ONG Memorial, que trabalha pela defesa dos direitos humanos e para preservar a memória sobre os gulag, foi proibida pela justiça e acusada de não ter cumprido as regras da controversa lei sobre "agentes estrangeiros".


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