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Estado de Minas TÓQUIO

A luta dos artesãos japoneses com deficiência por existir e trabalhar


18/01/2022 12:13

Em um bairro badalado de Tóquio, os clientes da loja Majerca examinam os objetos feitos por pessoas com deficiência neste local que busca divulgar seu trabalho, uma tendência que ainda engatinha no Japão, onde são vítimas de inúmeros preconceitos.

Apesar dos compromissos do governo em facilitar a integração de pessoas com deficiência, no único país do mundo que já sediou os Jogos Paralímpicos duas vezes, o mundo do trabalho é muitas vezes inacessível para eles, apontam associações e especialistas.

No arquipélago, a ajuda pública às pessoas com deficiência muitas vezes implica que os seus beneficiários permaneçam em casa e aqueles que querem trabalhar não têm apoio.

Miho Hattori, membro do corpo diretivo de uma oficina de fornecedores da Majerca, onde trabalham cerca de vinte pessoas com deficiência cognitiva, considera que esta é uma perda significativa para a sociedade.

"Alguns têm mais de trinta anos de carreira e experiência suficiente para merecer o nome de artesãos", declara à AFP.

Em uma parte da oficina, alguns filtram pasta de papel e prensam as folhas para fazer cartões. Uma jovem fia lã crua enquanto outros artesãos trabalham em um tear.

"Gosto de tecer", diz Ayame Kawasaki, uma funcionária de 28 anos com síndrome de Down, uma anomalia cromossômica que causa déficit intelectual e anormalidades físicas. "Aqui preparo o tecido para fazer estolas, misturando lã e algodão", explica.

As malhas feitas por esses trabalhadores são vendidas por vários milhares de ienes em lojas e galerias de arte, mas eles só recebem um salário escasso de cerca de 15.000 ienes por mês (US$ 131).

Essa soma não é a principal fonte de renda desses artesãos, que têm direito a auxílio governamental, e está na renda média das pessoas com deficiência mental no Japão, segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Assuntos Sociais.

- Discriminação -

"Seu trabalho e suas criações são preciosos, mas eles continuam invisíveis", lamenta Mitsuhiro Fujimoto, chefe da Majerca.

Ele explica que paga entre 60% e 70% do valor da venda e os incentiva a pedir um preço justo, não caridade.

A empresa Heralbony, que fabrica e vende online artigos de moda de cerca de 150 criadores com deficiência intelectual, explica como estabelecer preços que reflitam o trabalho de seus funcionários.

Essas criações coloridas, às vezes também vendidas em lojas de departamento ao lado de produtos Hermès ou Louis Vuitton, incluem gravatas por 24.200 ienes (US$ 211) ou blusas por mais de US$ 285.

"No Japão, há muito se considera que quem recebe ajuda não deve ganhar dinheiro", diz Miu Nakatsuka, porta-voz da Heraldbony, que afirma pagar pelo menos 5% do preço de cada item aos criadores.

Os trabalhadores consideram que os preconceitos fecham as portas às pessoas com deficiência e também criticam a legislação considerada inadequada.

Apesar dos obstáculos, a Heralbony, fundada há três anos, é uma empresa lucrativa e pretende expandir-se oferecendo também móveis e acessórios de interior.

Fujimoto, da loja Majerca, acredita que expor objetos feitos por trabalhadores com deficiência ajuda a desafiar o preconceito.

"Ao visitar Majerca, espero que as pessoas vejam o que eles estão fazendo e o que podem fazer, e comecem a questionar se estão sendo tratados de forma justa", salienta.

HERMES INTERNATIONAL


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