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Estado de Minas OSLO

Dez anos após massacre de Utøya, Breivik solicita soltura


18/01/2022 10:15

Dez anos depois de matar 77 pessoas na Noruega, o extremista de direita Anders Behring Breivik pediu, nesta terça-feira (18), sua libertação, uma solicitação fadada ao fracasso e que começou com uma saudação nazista aos juízes.

Em um processo transferido, por razões de segurança, para o ginásio da prisão de Skien (sul), onde se encontra encarcerado, a Justiça norueguesa vai analisar o pedido de liberdade condicional apresentado por Breivik. Ele foi condenado a 21 anos de prisão, em 2012, com possibilidade de extensão da pena.

Em 22 de julho de 2011, esse extremista de direita explodiu uma bomba perto da sede do governo em Oslo, causando oito mortes. Na sequência, matou outras 69 pessoas, a maioria adolescentes, atirando neles em um acampamento de verão da Juventude Trabalhista, na ilha de Utøya.

O assassino, agora com 42 anos, criticava suas vítimas por servirem de base para o multiculturalismo.

De cabeça raspada e barba, Breivik entrou na sala com uma mensagem escrita e um terno escuro. O texto: "Parem o genocídio contra nossas nações brancas!".

Ele olhou rapidamente para os repórteres e fez a saudação nazista quando os três juízes chegaram.

"Como em todo Estado de direito, uma pessoa condenada tem o direito de pedir sua liberdade condicional, e Breivik decidiu usar esse direito", disse seu advogado, Øystein Storrvik, à AFP.

Ele foi condenado a uma forma de detenção de segurança que pode ser prorrogada indefinidamente pelo tempo que for considerado um risco para a sociedade, além de um período mínimo de dez anos de prisão, o máximo previsto em lei à época.

Em um país que não conhecia crimes tão violentos desde a Segunda Guerra Mundial, o pedido de liberdade condicional não tem chance de sucesso, dizem os especialistas.

Pode, contudo, ser entendido como um teste que o Estado de Direito tem de superar, ao tratar um extremista como qualquer outro réu.

"É a prova, para todos nós, que uma pessoa que matou crianças, perseguiu pessoas que fugiam e atirou em pessoas que imploravam por suas vidas, beneficia-se dos aspectos liberais da Justiça", dizia nesta terça-feira o editorial do popular jornal Verdens Gang.

- Dor das famílias -

Em 2016, em um processo contra o Estado por seu isolamento prisional, Breivik ousou se comparar a Nelson Mandela, que em sua luta contra o Apartheid na África do Sul passou da luta armada para o combate político.

O extremista, que executou a maioria de suas vítimas com uma bala na cabeça, nunca expressou um remorso crível.

"Não se tornou menos extremista do ponto de vista ideológico", diz Tore Bjørgo, diretor do Centro de Pesquisa sobre Extremismo de Direita (C-REX) da Universidade de Oslo.

"Agora, ele se apresenta como um nacional-socialista e, embora diga que, em relação à luta armada, é uma fase que pertence ao passado, não se distanciou em nada do massacre que cometeu, que considera totalmente legítimo", ressalta.

Cada novo processo, marcado pelo comportamento cínico de Breivik, dilacera de dor os parentes das vítimas.

Antes do início desta nova audiência, o grupo de apoio às famílias pediu "para se dar pouca atenção ao terrorista e sua mensagem".

"Qualquer menção a esse caso, em geral, e ao terrorista, em particular, é um grande fardo para os sobreviventes, os pais daqueles que foram vítimas dos ataques terroristas na Noruega", sublinhou.

Os eventos de 2011 inspiraram outros atentados, incluindo o de Christchurch, na Nova Zelândia, em 2019, e ataques planejados em todo mundo.

Apesar da natureza excepcional de seus crimes, a Noruega se esforça e trata Breivik como qualquer outro detento.

Em 2016, Breivik, que tem três celas na prisão, uma televisão com leitor de DVD e videogame e uma máquina de escrever, conseguiu que o Estado fosse condenado por tratamento "desumano" e "degradante", porque era mantido à parte dos outros detidos. A condenação foi anulada em recurso.


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