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Estado de Minas ALMATY

Forças lideradas pela Rússia iniciam retirada do Cazaquistão


13/01/2022 12:52

O contingente militar liderado pela Rússia iniciou, nesta quinta-feira (13), sua retirada do Cazaquistão, para onde havia sido enviado após os violentos distúrbios nesta ex-república soviética da Ásia Central.

Uma cerimônia solene de partida reunindo os soldados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) - uma aliança militar liderada por Moscou - ocorreu pela manhã em Almaty, a principal cidade do Cazaquistão, segundo jornalistas da AFP.

O contingente, de 2.030 soldados russos, bielorrussos, armênios, tadjiques e quirguizes, foi enviado à ex-república soviética em 6 de janeiro e deve concluir sua partida até 22 de janeiro, segundo o CSTO e as autoridades cazaques.

Um primeiro avisão com pessoal militar russo partiu nesta quinta-feira do Cazaquistão, informou o ministro da Defesa russo Sergéi Shoigu, acrescentando que Moscou planeja completar a repatriação das forças em 19 de janeiro.

"As forças da OTSC restabeleceram a ordem e a lei, isso é muito importante", celebrou o presidente russo Vladimir Putin. "Devemos voltar para casa. Nossa missão foi cumprida", acrescentou.

O Cazaquistão foi abalado na semana passada por uma violência nunca vista desde sua independência em 1991. Deixou dezenas de mortos e centenas de feridos, motivou a mobilização do contingente militar e levou à prisão de pelo menos 12.000 pessoas.

- Luta pelo poder -

Os episódios de violência mais graves ocorreram em Almaty - com trocas de tiros, saques de lojas e incêndio da prefeitura e da residência presidencial.

Até então, o Cazaquistão se orgulhava de sua estabilidade.

Nessa cidade, a situação voltava progressivamente à normalidade, com o funcionamento do transporte e a reabertura de lojas e restaurantes. O aeroporto, fechado desde a semana passada após ter sido saqueado, recebeu seu primeiro voo civil nesta quinta-feira.

Os distúrbios foram qualificados como uma agressão "terrorista" estrangeira pelo presidente Kassym-Jomart Tokaiev, que, no entanto, não forneceu provas concretas nesse sentido. Foi com base nessa afirmação, que pediu o apoio dos soldados estrangeiros.

A violência, porém, eclodiu após manifestações em 2 de janeiro contra o aumento dos preços dos combustíveis, tendo como pano de fundo anos de declínio nos padrões de vida e corrupção endêmica entre as elites do país.

A versão dos fatos apresentada pelas autoridades cazaques recebeu o apoio da Rússia de outros países da região.

As autoridades cazaques ainda não publicaram um balanço preciso desses eventos, enquanto manifestantes e policiais entraram em confronto com armas automáticas, sugerindo um número muito alto de vítimas.

No âmbito desses confrontos, o presidente do Cazaquistão também lançou uma ofensiva contra seu poderoso antecessor Nursultan Nazarbayev, bem como seus aliados e membros de sua família que controlam setores inteiros da economia e continuam muito influentes nos mistérios do regime.

Assim, acusou seu padrinho político de ter favorecido o surgimento de uma "casta rica" dominando este Estado rico em hidrocarbonetos, uma crítica inédita a quem detém o título honorário de "Chefe da Nação".

O presidente cazaque, que passou toda a sua carreira à sombra de seu mentor, também anunciou que a elite rica terá que fornecer um fundo destinado a "pagar um tributo" à população cazaque.

Um dos aliados de Nazarbayev, Karim Massimov, também foi preso no sábado por alta traição após ser demitido como chefe do serviço secreto.


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