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Estado de Minas WASHINGTON

Biden arrisca forçar aprovação de reforma para proteger voto das minorias


11/01/2022 20:09 - atualizado 11/01/2022 20:14

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, viajou nesta terça-feira (11) ao estado da Geórgia para avançar em uma promessa crucial de sua presidência: proteger o acesso das minorias ao voto, em especial dos eleitores afro-americanos, que considera ameaçado pelos estados conservadores do sul.

"É um momento crucial", disse a jornalistas ainda na Casa Branca, garantindo que "a história julgará" os legisladores do país.

O presidente apoiará formalmente uma polêmica manobra que romperia as travas da oposição republicana no Senado, disse um alto funcionário da Casa Branca.

Biden decidiu arriscar aprovar à força uma vasta reforma eleitoral até então bloqueada pelos republicanos no Senado, que, segundo a Casa Branca, busca fortalecer o voto minoritário.

"Não hesitarei. Defenderei seu direito de voto e nossa democracia contra inimigos de dentro e de fora", dirá o presidente democrata, segundo trecho do discurso que fará em Atlanta, capital da Geórgia.

Após um potente discurso em 6 de janeiro para marcar o primeiro aniversário da tentativa dos apoiadores de Donald Trump de derrubar a eleição presidencial de 2020, Biden, enfraquecido por baixos índices de aprovação, pressionará pela aprovação das leis que confirmam a reforma eleitoral.

Ambas já foram aprovadas na Câmara dos Representantes.

O presidente iniciou sua visita a Atlanta com um encontro com os filhos de Martin Luther King, antes de visitar o túmulo do herói afro-americano da luta pelos direitos civis.

Ele então foi com a vice-presidente Kamala Harris para a igreja batista onde King foi assassinado em 1968.

- Martin Luther King -

Biden, eleito com o apoio determinante de personalidades da comunidade negra, prometeu continuar as lutas do ícone da mobilização não violenta. Mas ativistas dos direitos civis o alertaram contra promessas vazias.

"Sua visita não deve ser uma mera formalidade", disse Martin Luther King III, filho do pastor batista, no Twitter.

A imprensa americana também notou a ausência de Stacey Abrams, candidata democrata ao governo da Geórgia e uma das vozes mais poderosas na participação eleitoral dos afro-americanos. A ausência foi devido a um simples "conflito de agendas", segundo a Casa Branca.

Biden quer harmonizar em todo o país as condições nas quais se exerce o voto, desde a inscrição no censo eleitoral, até a recontagem de cédulas, passando pela votação por correio e a verificação da identidade dos eleitores.

Esses são parâmetros que vários estados conservadores do sul, incluindo a Geórgia, se comprometeram a modificar para aumentar a segurança das operações de votação.

Mas, na prática, as mudanças empreendidas pelos estados conservadores dificultam o acesso dos afro-americanos às urnas, ao mesmo tempo em que fortalecem o controle das autoridades locais, geralmente conservadoras, sobre as operações eleitorais.

Os democratas acusam os republicanos de tentar subverter futuras eleições, sob a influência do ex-presidente Trump, que alega contra todas as evidências que as últimas eleições presidenciais foram fraudadas.

- Filibusterismo -

Biden quer que o Senado aprove duas leis, a "John Lewis Voting Rights Advancement Act" e a "Freedom to Vote Act", para, segundo ele, proteger as conquistas da luta pelos direitos civis e contra a discriminação racial, que remontam aos anos 1960.

Para isto, Biden, que foi senador por 30 anos, está disposto a romper com a enraizada tradição do "filibusterismo".

Esta prática, que pretende forçar o consenso e a moderação, exige que o Senado reúna uma maioria qualificada (de 60 votos) para colocar à votação a maioria dos textos.

Mas Biden, que pode perder o controle do Congresso após as eleições de meio de mandato em novembro, agora é a favor de que os democratas (que atualmente têm 51 votos no Senado, incluindo a vice-presidente, contra 50 dos republicanos) votem por maioria simples.

Abandonar o limite de 60 votos deve enfurecer a oposição conservadora e também alguns democratas, ligados a essa disposição criticada como "obstrucionista".

Mas para alcançar seu objetivo, o presidente precisa do apoio de todos os senadores democratas, sem exceção, incluindo o da Virgínia Ocidental Joe Manchin, que já bloqueou o grande plano de gastos sociais e ambientais de Biden e está relutante em seguir seu partido no "direito ao voto".


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