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Estado de Minas CIDADE DA GUATEMALA

Começa julgamento de ex-paramilitares por abuso sexual a indígenas na Guatemala


05/01/2022 17:17

O julgamento de cinco ex-paramilitares por violência sexual contra 36 mulheres indígenas maias nos anos 1980 durante a guerra civil da Guatemala (1960-1996) iniciou nesta quarta-feira (5) em um tribunal da capital Cidade da Guatemala.

Os processados são ex-integrantes do grupo paramilitar Patrulhas de Autodefesa Civil (PAC), que participam das audiências por meio de videoconferência da prisão onde estão detidos.

Os fatos teriam ocorrido entre 1981 e 1985 no município de Rabinal, ao norte da capital guatemalteca.

A demanda começou há uma década, quando 11 mulheres denunciaram o abuso à Justiça, e à qual depois se somaram outras vítimas, até o total de 36 demandantes, disse aos jornalistas a advogada Lucía Xiloj.

No debate oral e público, os peritos vão expor a estratégia contrainsurgente usada pelos paramilitares e soldados durante o conflito armado para demonstrar o abuso sofrido pela população maia, acrescentou.

Além disso, Xiloj classificou os fatos de aberrações, pois muitas mulheres "foram violentadas depois da desaparição [forçada] de seus esposos" por parte dos mesmos ex-paramilitares e soldados.

Rabinal foi uma das localidades que mais sofreram durante a guerra civil no país centro-americano. Ali foi localizada uma vala coletiva com mais de 3.000 vítimas.

A Comissão da Verdade da ONU que investigou os crimes de guerra na Guatemala documentou um total de 669 massacres e assegurou que 93% das violações foram cometidas por aparatos do Estado.

As PAC e a figura do comissariado militar, instrumentos de repressão durante a guerra, foram desmanteladas com a assinatura dos acordos de paz em 1996, que pôs fim ao conflito que deixou cerca de 200.000 mortos ou desaparecidos.


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