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Estado de Minas WASHINGTON

Comissão que investiga invasão do Capitólio aprova acusações de desacato contra aliado de Trump


13/12/2021 23:27 - atualizado 13/12/2021 23:31

A comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que investiga a invasão do Capitólio aprovou nesta segunda-feira (13) de forma unânime a apresentação de acusações penais por desacato contra Mark Meadows, ex-chefe de gabinete de Donald Trump, por se recusar a prestar depoimento.

Meadows disse que não tem intenção de comparecer à comissão do Congresso integrada por vários partidos. Na semana passada, pela segunda vez, ele não compareceu para prestar depoimento como estava programado.

"O fato de Meadows não ter comparecido para prestar depoimento [...], depois que lhe foi dada uma segunda oportunidade para cooperar com a comissão, constitui o descumprimento intencional da convocação", afirmou o colegiado.

A comissão investiga os esforços de Trump para reverter os resultados das eleições presidenciais de 2020, nas quais foi derrotado por Joe Biden, através de uma campanha que levou à invasão do Capitólio, e se Meadows o ajudou.

O quarto e último chefe de gabinete da Casa Branca no mandato de Trump declarou ao colegiado que não cooperaria até que fosse resolvida uma petição de seu ex-chefe, que invocou o "privilégio executivo", que permite aos presidentes manter em sigilo algumas conversas com seus assessores.

"Qualquer que fosse o legado que pensava ter deixado na Casa Branca, este é seu legado agora: ex-colegas que o acusam para um processo penal porque se negou a responder às perguntas sobre o que sabe de um ataque brutal à nossa democracia", disse o legislador Bennir Thompson, que chefia a comissão.

"Este é o seu legado. Mas não nos deixou outra opção. O sr. Meadows se colocou nesta situação. Agora, deve aceitar as consequências", disse.

- "Informação-chave" -

Os investigadores afirmam que Meadows não pode invocar o direito de permanecer em silêncio já que ele, um ex-congressista ultraconservador, publicou na semana passada memórias nas quais menciona fatos ocorridos em 6 de janeiro e algumas conversas com Trump.

Na semana passada, um tribunal de apelações rejeitou o pedido de Trump por considerar que o ex-presidente não apresentou razões de peso para que as conversas com ex-assessores tivessem que permanecer em sigilo. Agora, ele tem duas semanas para recorrer à Suprema Corte.

Meadows era o principal auxiliar de Trump no momento dos distúrbios em Washington e acredita-se que ele estava ao lado do então presidente na Casa Branca quando os radicais invadiram o Capitólio.

A comissão afirma que Meadows "está muito bem-posicionado para proporcionar informações-chave, já que tinha um papel oficial na Casa Branca e outro oficioso na campanha para a reeleição de Trump".

Antes de dizer que não estava disposto a seguir cooperando, Meadows entregou voluntariamente ao colegiado 6.600 páginas de documentação, entre e-mails de contas pessoais e aproximadamente 2.000 mensagens de texto.

- 'Insensata e injusta' -

No domingo, um documento de 51 páginas foi apresentado com parte dessas mensagens, entre elas um e-mail de 5 de janeiro de Meadows que dizia a uma pessoa não identificada que a Guarda Nacional estava pronta para "proteger os pró-Trump".

Ainda esta noite, o comitê dará luz verde à uma intimação por desacato e espera-se que o plenário da Câmara dos Representantes, que é controlada pelos democratas, vote na terça-feira se remeterá o caso de Meadows ao Departamento de Justiça para que considere a apresentação de possíveis denúncias contra o ex-funcionário.

Se for declarado culpado, Meadows pode receber penas de seis meses de prisão por cada denúncia de desacato. Contudo, o mais provável é que seja imposta uma multa.

Meadows acusa a comissão de abuso de poder e, na semana passada, apresentou uma demanda contra os nove membros do colegiado e a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, para pedir que uma corte federal bloqueie a aplicação das intimações emitidas contra ele e de outra proferida com o objetivo de quebrar seu sigilo telefônico.

Seu advogado, George Terwilliger, escreveu à comissão nesta segunda reclamando que a acusação é "manifestamente insensata, injusta e iníqua".

Milhares de simpatizantes de Trump, muitos deles vinculados a grupos ultranacionalistas e supremacistas brancos, invadiram o Capitólio há 11 meses, em uma tentativa de anular vitória de Biden nas eleições.

Na época, Trump denunciou falsamente que havia fraude eleitoral e pediu a seus partidários que marchassem até o Capitólio e "lutassem como um demônio".

A Câmara dos Representantes recomendou a apresentação de denúncias contra outro aliado de Trump, o ex-estrategista da Casa Branca e agitador de direita, Steve Bannon, em outubro. Em julho, Bannon será julgado por desacato.


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