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Estado de Minas WASHINGTON

EUA sanciona funcionários de El Salvador por relações com líderes criminosos


08/12/2021 22:29 - atualizado 08/12/2021 22:31

Os Estados Unidos impuseram nesta quarta-feira (8) sanções econômicas contra dois funcionários do alto escalão do governo de Nayib Bukele em El Salvador, acusando-os de participar de negociações encobertas com líderes criminosos que estão presos, o que foi classificado de "mentira" pelo mandatário salvadorenho.

O governo de Joe Biden declarou que as sanções alinham-se com os objetivos da Cúpula pela Democracia que o presidente americano sediará nesta quinta e sexta, mas também com a Estratégia dos Estados Unidos para Combater a Corrupção, publicada em 6 de dezembro, que considera este tema uma prioridade de segurança nacional.

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que Osiris Luna Meza, vice-ministro da Justiça e diretor-geral de penitenciárias de El Salvador, e Carlos Amílcar Marroquín Chica, diretor de Reconstrução do Tecido Social da Presidência salvadorenha, foram incluídos em sua lista negra por suas relações com os líderes das gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18.

As sanções supõem o congelamento de qualquer ativo que os envolvidos tenham sub jurisdição dos EUA e proíbe que eles façam qualquer transação através do sistema financeiro americano.

"O crime organizado, apoiado por atores corruptos, pode desestabilizar o Estado de Direito, erodir a confiança nas instituições públicas e debilitar a governabilidade democrática", disse o secretário de Estado, Antony Blinken, após o anúncio das sanções.

"Continuaremos utilizando todas as ferramentas disponíveis para romper os vínculos entre a atividade criminosa e a corrupção", acrescentou.

- Acordos com MS-13 e Barrio 18 -

Segundo o Tesouro americano, uma investigação revelou que Luna e Marroquín facilitaram e dirigiram em 2020 reuniões propiciadas pelo governo Bukele para pactuar uma trégua secreta com os líderes do crime organizado.

Além disso, os chefes das organizações criminosas concordaram em apoiar o partido de Bukele, o Novas Ideias, nas eleições legislativas de 2021, que resultaram no triunfo dos governistas, em troca de alocações financeiras do governo e de privilégios aos líderes das gangues na prisão, como celulares e prostitutas.

O Departamento do Tesouro americano também indicou que Luna negociou com os líderes da MS-13 e do Barrio 18 o acatamento do confinamento nacional decretado por Bukele em março de 2020, no início da pandemia de covid-19.

Ademais, acusou Luna de roubar e revender produtos básicos comprados pelo governo salvadorenho para ajudar os atingidos pela emergência sanitária, e de idealizar um plano para desviar milhões de dólares do sistema penitenciário do país centro-americano.

- "Uma mentira" -

De San Salvador, Bukele, que mantém uma relação tensa com o governo Biden, classificou essas acusações de "mentira" e afirmou que "nossa independência não está à venda".

"Telefones celulares e prostitutas em prisões? Dinheiro para as gangues? Quando isso aconteceu? Eles nem verificaram a data? Como podem mentir tão descaradamente sem ninguém questioná-los? Existem vídeos sim, mas de seus amigos fazendo Isso. Nós não. Nem escondem mais", tuitou.

Bukele também acusou a ex-encarregada de negócios americana Jean Manes de pedir-lhe, entre outras coisas, a libertação de um ex-prefeito e que o procurador-geral Rodolfo Delgado não seja reeleito.

El Salvador é um dos oito países americanos não convidados à Cúpula pela Democracia convocada por Biden, assim como Bolívia, Cuba, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua e Venezuela.

"Não acreditamos que El Salvador esteja pronto ou que vá contribuir de forma produtiva para a conversa que teremos", disse na semana passada Juan González, chefe de assuntos latino-americanos do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, acusando o governo de Bukele de "minar" as instituições democráticas.

No poder desde junho de 2019, Bukele, que nega acordos com as gangues, se recusou nos últimos meses a extraditar para os Estados Unidos líderes do MS-13 que estão sendo procurados pela justiça de Nova York.

As gangues MS-13 e Barrio 18, entre outras, têm cerca de 70.000 membros em El Salvador, mais de 17.000 deles encarcerados, e são acusadas de extorsão, tráfico sexual, tráfico de drogas e outras atividades ilegais.

O governo do ex-presidente salvadorenho Mauricio Funes (2009-2014), que fugiu para a Nicarágua após ser acusado de corrupção, facilitou uma trégua entre gangues, o que levou a uma redução acentuada dos homicídios. Por causa desse pacto, que foi quebrado em poucos meses, as gangues foram fortalecidas.


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