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Estado de Minas BERLIM

Olaf Scholz, a vingança do "autômato"


08/12/2021 08:37 - atualizado 08/12/2021 08:38

De "autômato" a chanceler. O moderado e austero social-democrata Olaf Scholz se tornou oficialmente o sucessor de Angela Merkel na Alemanha para liderar uma coalizão sem precedentes de três partidos, graças à sua experiência de ministro e a uma campanha sem erros.

Aos 63 anos, o ex-ministro das Finanças do governo Merkel foi eleito nesta quarta-feira (8) chanceler pelo Parlamento da maior economia europeia.

Seu partido SPD era considerado quase morto há alguns meses, mas venceu as eleições legislativas de setembro e conseguiu estabelecer uma coalizão com ecologistas e liberais.

Sem fazer muito barulho e inspirando-se no estilo sóbrio de Merkel, este amante das longas caminhadas conseguiu se destacar apesar de ser pouco conhecido pelos próprios alemães.

Há alguns meses não existia uma biografia publicada do novo chanceler, apesar de ele ter sido várias vezes ministro e prefeito de Hamburgo, a segunda maior cidade do país.

- "Encarnação do tédio" -

Descrito pela Der Spiegel apresenta como "a encarnação do tédio na política", Scholz passou por todos os níveis da atividade pública desde os anos 1970.

Nascido em Osnabruck em 14 de junho de 1958, Olaf Scholz entrou para o SPD aos 17 anos. Então um jovem de cabelos compridos, flertava com as ideias mais à esquerda do partido.

Ele se tornou advogado especialista em direito trabalhista e foi eleito deputado em 1998. Como secretário-geral do SPD (2002-2004), Scholz teve que explicar todos os dias, diante das câmeras, as impopulares reformas liberais do então chanceler Gerhard Schröder.

Alvo de piadas por seu comportamento austero e discursos em tom de autômato que lhe valeram o apelido de "Scholzomat", o agora futuro chanceler admitiu que "não era uma descrição totalmente falsa". Mas acrescentou: "Sempre faziam as mesmas perguntas e eu dava as mesmas respostas."

Em 2004, a liberalização do mercado de trabalho dividiria a esquerda, precipitando a derrota de Schroder para Angela Merkel em 2005.

Em 2007, ele foi nomeado ministro do Trabalho em uma grande coalizão governamental e, em 2011, este obcecado pela política - área em que também atua sua esposa, Britta Ernst, ministra da Educação na região de Brandeburgo - foi eleito prefeito de Hamburgo.

Na cidade, Scholz executou uma ambiciosa política de habitação e proteção à primeira infância, mesmo ao custo de esgotar o orçamento da cidade.

Em outro governo de coalizão de Merkel, Scholz sucedeu em 2018 como ministro das Finanças o democrata-cristão ortodoxo Wolfgang Schaüble. Ele seguiu com a gestão financeira inflexível do Executivo.

Scholz rompeu, no entanto, com o tom frequentemente rude e moralista de seu antecessor, especialmente a respeito dos países do sul da Europa considerados frágeis na economia.

- Competência -

Social-democrata de tendência centrista, Scholz parece ter convencido boa parte do eleitorado ao apresentar uma imagem de competência.

Em 2019, Scholz apresentou a candidatura para liderar o SPD, mas os militantes do partido escolheram dois quase desconhecidos mais à esquerda.

Olaf Scholz, no entanto, conseguiu recuperar espaço com a pandemia, quando não hesitou em romper com a ortodoxia orçamentária. O SPD então o nomeou como candidato às eleições legislativas de setembro de 2021.

Após uma década de acúmulo de excedentes, a Alemanha contraiu bilhões de euros em novas dívidas desde 2020, em detrimento de suas regras constitucionais rígidas.

"Tudo isto é caro, mas não fazer nada seria ainda mais caro", insistiu Scholz, como ministro das Finanças, para justificar os gastos em meio à pandemia de covid-19.


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