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Estado de Minas REDE SOCIAL

Twitter admite 'erros' após abusos da extrema-direita

"Tomamos conhecimento de uma quantidade significativa de relatórios coordenados e maliciosos e, infelizmente, nossas equipes cometeram vários erros"


05/12/2021 11:01 - atualizado 05/12/2021 11:47

Logmarca do Twitter em tela de smartphone
Logmarca do Twitter em tela de smartphone (foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP)


A nova política do Twitter que impede o compartilhamento de imagens privadas de outras pessoas sem consentimento visa combater o abuso online, mas ativistas e pesquisadores dos Estados Unidos alertam que partidários da extrema-direita a usam para se proteger do escrutínio e assediar adversários.

A rede social até admitiu que a implantação das regras, segundo as quais qualquer pessoa pode pedir ao Twitter para deletar imagens suas postadas sem consentimento, foi prejudicada por denúncias maliciosas e erros de sua própria equipe.

Exatamente o tipo de problema que preocupava os defensores do antirracismo depois do anúncio da política esta semana.

Suas preocupações foram rapidamente validadas com uma captura de tela feita pelo pesquisador anti-extremista Kristofer Goldsmith mostrando uma mensagem da extrema direita circulando no Telegram: "Devido à nova política de privacidade do Twitter, agora as coisas funcionam, inesperadamente, a nosso favor".

"Qualquer pessoa com uma conta no Twitter deve reportar as postagens de 'doxxing' dos seguintes usuários", dizia a mensagem printado, citando dezenas de contas no Twitter.

O 'doxxing', ato de postar detalhes privados de alguém online para que possam ser assediados, os colocou no olho do furacão, enquanto que ativistas que postavam informações também enfrentaram ameaças e assédio.

Gwen Snyder, uma pesquisadora da Filadélfia, disse que sua conta foi bloqueada esta semana após denúncias enviadas ao Twitter sobre uma série de fotos tiradas em 2019 que, segundo ela, mostravam um candidato local em uma marcha organizada pelo grupo de extrema direita Proud Boys.

Em vez de apelar, optou por apagar as imagens e avisar sobre o que estava acontecendo.

"A mobilização do Twitter para remover (meu) trabalho de sua plataforma é incrivelmente perigosa e permitirá e fortalecerá os fascistas", denunciou Snyder à AFP.

- "Vários erros" -

Ao anunciar a política de privacidade na terça-feira, o Twitter observou que o compartilhamento de imagens e vídeos pessoais "pode potencialmente violar a privacidade de uma pessoa e pode causar danos emocionais e psicológicos".

Mas as regras não se aplicam a "figuras públicas ou indivíduos, quando a mídia e o texto do tuíte que o acompanha são compartilhados no interesse público ou agregam valor ao discurso público".

Na sexta-feira, o Twitter admitiu: "Tomamos conhecimento de uma quantidade significativa de relatórios coordenados e maliciosos e, infelizmente, nossas equipes cometeram vários erros".

"Corrigimos esses erros e estamos conduzindo uma revisão interna para garantir que esta política seja usada como previsto", continuou.

No entanto, o ativista e pesquisador Chad Loder, baseado em Los Angeles, disse que sua conta foi permanentemente bloqueada após denúncias de imagens gravadas publicamente de um protesto antivacina e um confronto em frente à residência de um ex-jornalista do Vice.

Para Loder, as denúncias da extrema direita são a ponta do iceberg de um "esforço contínuo e concertado" para eliminar as evidências de seus "crimes".

Especialistas dizem que as novas regras do Twitter parecem uma ideia bem-intencionada, mas são incrivelmente complexas de implementar.

Um dos motivos é que a plataforma se tornou um fórum importante para identificar pessoas envolvidas em grupos de extrema direita e de ódio, com detetives postando seus nomes e outras informações.

Anunciadas um dia depois que Parag Agrawal assumiu como CEO do Twitter, substituindo Jack Dorsey, as novas regras tocam em questões que podem estar além do controle da plataforma.

"Essas são questões que provavelmente serão resolvidas em nossos tribunais", disse Betsy Page Sigman, professora emérita da Universidade de Georgetown.

"Não estou otimista com as mudanças do Twitter", concluiu.


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