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Estado de Minas UREÑA

Contrabando é praticado abertamente na fronteira entre Venezuela e Colômbia


02/12/2021 11:29

"Combate ao contrabando", afirma um cartaz em uma ponte na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Logo abaixo, três homens, dois com enormes malas nas costas, cruzam o rio que divide os dois países.

Os agentes de fronteira olham para eles sem interesse. Os contrabandistas não se escondem nem se apressam. Um demorou a tirar os sapatos e arregaçar as calças.

Os 2.219 quilômetros da fronteira colombiano-venezuelana sempre tiveram contrabando por travessias ilegais conhecidas como "trilhas", mas ganharam espaço depois da interrupção das travessias binacionais ordenada pelo presidente Nicolás Maduro em 2015, após denunciar uma "emboscada" contra os militares.

Desde então, apenas a travessia de pedestres é permitida, mas em 2019 as travessias foram completamente bloqueadas por tensões políticas entre Caracas e Bogotá.

Essas decisões prejudicaram a atividade econômica do lado venezuelano, ressalta Daniel Aguilar, ex-presidente da associação patronal Fedecámaras do estado de Táchira, no oeste do país, onde se localiza a passagem internacional mais importante.

Um exemplo é a zona industrial de Ureña, que tinha cerca de 3.500 empresas de calçados, roupas e medicamentos, agora apagadas do mapa. Desapareceram as companhias de transporte, corretagem e seguros.

"Há uma queda drástica; só aqui foram perdidos mais de 70.000 empregos", diz Aguilar.

A Venezuela reabriu as pontes em outubro, que estavam bloqueadas com enormes contêineres de metal, mas só há travessia de pedestres por enquanto.

Quase 20.000 pessoas cruzam as duas pontes reabertas na área (San Antonio-Cúcuta e Ureña-Cúcuta) diariamente, segundo estimativas da polícia.

- Armas e cocaína -

"Sempre existirão contrabandistas, sempre existirão pessoas que precisam atravessar, porque é mais barato", diz Dani Pedraza, pai de três filhos, enquanto empurra uma bicicleta carregada de placas de cerâmica.

"Eu vivo da trilha, apoio minha família com a trilha", comenta Dani, que adaptou sua bicicleta para suportar coisas mais pesadas nas estradas estreitas e pedregosas, tirando os pedais, a corrente e o selim.

Assim, pode transportar até 300 quilos por 100.000 pesos colombianos (US$ 20).

Custa 30.000 pesos (7 dólares) por pacotes de até 80 kg, carregados nas costas em uma viagem de cerca de dez minutos. "Antes trabalhávamos muito. A reabertura da ponte, isso não nos convém", reclama.

Do lado colombiano, os carregadores se acotovelam para oferecer seus serviços quando chega um ônibus ou táxi.

Ramón Rizcano, um comerciante de 33 anos de Rubio, um povoado próximo à fronteira, percorre as trilhas várias vezes por semana para não pagar propina às autoridades: "Não passo a ponte pelos postos de controle, eles perguntam demais", lamenta.

Mas a trilha não é gratuita. Você tem que pagar entre 10.000 e 15.000 pesos (2 a 4 dólares) para quem as controlam.

Alimentos, álcool, remédios, gasolina e equipamentos agrícolas entram da Colômbia por essas estradas clandestinas, enquanto a sucata de metal sai da Venezuela.

Às vezes, os motociclistas carregam passageiros com mochilas carregadas de "cocaína ou armas" a toda velocidade, diz um viajante nesta região onde abundam gangues, paramilitares e guerrilheiros.

É impossível saber quanto dinheiro está circulando nas trilhas, mas o tráfico chega a milhões de dólares.

Embora os números do comércio bilateral variem (7,5 bilhões de dólares em 2009 segundo Caracas e 2,2 bilhões em 2013 segundo Bogotá) não há dúvida: o intercâmbio ruiu. Um bilhão de dólares passaram para Cúcuta pela ponte em 2013. Zero em 2020.

Tudo mudou com a crise econômica na Venezuela, que perdeu 80% do PIB desde 2013.

- Reabrir -

Milhares de venezuelanos cruzam a fronteira a pé para se abastecer, às vezes vindos de longe, porque devido à hiperinflação que atinge o país há quatro anos, tudo é muito mais caro do que na Colômbia.

"É tudo mais barato. A gente se reúne e podemos amortizar a viagem", explica Viany Barrios, funcionária da Universidade de Mérida, distante 260 km e cerca de cinco horas de estrada.

Com a abertura da ponte, ela evita a trilha.

Uma pessoa que pediu anonimato denuncia que os agentes alfandegários, policiais e militares são gananciosos ao ver as mercadorias.

"Presume-se que as trilhas sejam controladas por máfias. Há funcionários da Colômbia e da Venezuela que provavelmente cobram alguma coisa, mas também fecham os olhos por razões humanitárias, devido à necessidade do ser humano de trazer alimentos", destaca Aguilar.

Hilda Dayana Serrano vai a cada duas ou três semanas de Barinas a Cúcuta, a 350 km, para abastecer o seu comércio com produtos de higiene: "As pessoas fazem encomendas. Faço compras em várias lojas durante o dia para encontrar os produtos mais baratos".

Aguilar pede a reabertura da fronteira para veículos o mais rápido possível, pois isso revitalizaria o comércio.

"Os produtos asiáticos chegam da Colômbia sem passar pelo Canal do Panamá. (...), a abertura vai beneficiar os 23 estados da Venezuela. É vital", frisa.


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