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Estado de Minas PARIS

Otan é o mais importante para lidar com a Rússia, diz primeiro-ministro da Letônia


01/12/2021 20:29

O primeiro-ministro da Letônia, Krisjanis Karins, pediu nesta quarta-feira (1º) o fortalecimento da presença militar da Otan no flanco oriental da Europa diante da ameaça russa, e que não seja forjada uma "autonomia estratégica" da Europa em detrimento da Aliança Atlântica.

"No estado atual das coisas, seria muito apropriado que a Otan aumentasse sua presença (no leste), inclusive nos Estados bálticos", disse ele em uma entrevista à AFP, antes de uma reunião com o presidente francês Emmanuel Macron em Paris.

A concentração de forças russas na fronteira ucraniana, "a instrumentalização" dos migrantes por Belarus, a "falta de abastecimento de gás russo" e as campanhas de "desinformação", em sua opinião, "tudo isso está relacionado" e tem apenas um objetivo: "desestabilizar e desunir a Europa".

Os países membros da Aliança Atlântica, liderados pelos Estados Unidos, alertaram a Rússia nesta terça-feira, durante um encontro de seus ministros de Relações Exteriores em Riga - capital da Letônia -, contra qualquer nova "agressão" contra a Ucrânia, frisando que haveria "consequências".

"Seriam claramente sanções econômicas específicas e reforçadas, provavelmente muito amplas", enfatizou o primeiro-ministro letão.

Os ocidentais já adotaram uma série de sanções contra a Rússia desde a anexação da Crimeia pelo país e a eclosão do conflito entre a Ucrânia e os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia em 2014.

- Posição de força -

Diante da pressão russa, a Otan deve reforçar suas "capacidades" e "tecnologias" militares em seu flanco oriental, assim como seu apoio militar à Ucrânia, defende Karins.

Esses dois pontos foram discutidos em Riga na quarta-feira, enquanto alguns membros da Aliança se preocupavam com as medidas que poderiam ser assimiladas a provocações por parte da Rússia e alimentar um pouco mais a escalada.

A Rússia despreza qualquer aproximação, como manobras, assistência militar, fornecimento de equipamentos entre a Otan e os países da antiga União Soviética.

Para a Letônia, por outro lado, que suspeita que o presidente russo Vladimir Putin pretende recriar um "império de língua russa" às portas da Europa, apenas um "sinal claro de apoio à Ucrânia pode impedir a escalada".

Porém, a prioridade da Aliança Atlântica não é apenas a ameaça russa, segundo ele. É também o reforço da defesa europeia, que será uma das prioridades da presidência francesa da UE no primeiro semestre de 2022.

Os países bálticos e a Polônia, na linha da frente contra a Rússia, temem que a autonomia estratégica da Europa se dê às custas da Otan.

"Quando falamos em autonomia estratégica, isso significa [...] desfazer um vínculo", afirmou. "É como se você entrasse em casa e seu marido ou esposa dissesse 'quero ter autonomia estratégica'. Para todos, isso significa divórcio", acrescentou.

Pelo contrário, uma Europa mais forte no plano militar não deve levar a um enfraquecimento da Otan, advertiu.

"Todos nós temos recursos limitados. Não se deve criar nada que tire recursos da Otan para dedicá-los a outra coisa", ressaltou.

Ele ainda sugeriu que "a Europa talvez devesse ser mais ativa no Sahel por meio da Otan", e enfatizou que muitos países da Aliança já estão intervindo no Mali dentro da Minusma, a força da ONU para a estabilização do país, ou da missão EUTM da União Europeia, um programa de treinamento para o exército malinense.


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