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Estado de Minas ADIS ABEBA

Exército da Etiópia toma Lalibela dos rebeldes, patrimônio mundial da Unesco


01/12/2021 18:35 - atualizado 01/12/2021 18:38

As forças pró-governo da Etiópia recuperaram a cidade de Lalibela, classificada pela Unesco em sua lista de patrimônio mundial, que foi conquistada pelos rebeldes da região etíope do Tigré e está imersa em conflitos, anunciou o governo nesta quarta-feira (1º).

Paralelamente, os voos humanitários da ONU entre a capital Adis Abeba e Mekele, no Tigré, "foram restabelecidos", anunciou o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, mencionando um "pequeno raio de esperança" nesse conflito.

Os voos estavam suspensos desde 22 de outubro após os ataques aéreos.

As forças pró-governo "tomaram a cidade histórica de Lalibela e o aeroporto internacional de Lalibela", anunciou o serviço de imprensa do governo em um comunicado.

Lalibela é uma cidade conhecida pelas suas igrejas talhadas na rocha e classificada pela Unesco como patrimônio mundial, na região vizinha de Amhara.

O comunicado afirma que as forças pró-governo "também caminham para a cidade de Sekota" na região de Amhara, no norte da Etiópia.

Mais cedo nesta quarta-feira, as autoridades etíopes afirmaram que as forças pró-governo recuperaram a cidade de Shewa Robit, a cerca de 220 quilômetros da capital Addis Abeba, uma semana após os rebeldes do Tigré reivindicarem o controle.

Forças pró-governo e rebeldes da Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) se enfrentam há mais de um ano no norte da Etiópia.

Em junho, os rebeldes tomaram a maior parte do Tigré, depois avançaram para as regiões vizinhas de Afar e Amhara, onde afirmaram no início de novembro terem tomado as cidades de Dessie e Kombolcha, ponto de cruzamento estratégico que leva à capital.

Os combates ocorrem atualmente em três frentes, incluindo uma perto de Debre Sina.

Os temores de uma marcha de rebeldes para Addis Abeba levaram vários países - entre eles Estados Unidos, França e Reino Unido - a pedirem aos seus cidadãos para abandonarem a Etiópia.

O conflito começou em novembro de 2020 depois que o primeiro-ministro Abiy Ahmed enviou o exército para a região do Tigré para destituir as autoridades locais, surgidas da TPLF, que desafiavam sua autoridade e a quem acusava de ter atacado bases militares.

Em cerca de 13 meses, a guerra deixa vários milhares de mortos, mais de dois milhões de deslocados e levou centenas de milhares de pessoas a condições que beiram a fome, segundo a ONU.

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira à noite, o comando militar da TPLF negou as conquistas do governo e afirmou que, pelo contrário, os rebeldes estão realizando "alguns ajustes territoriais" antes de lançarem "ofensivas estratégicas".

Nesta quarta-feira, o ministério das Relações Exteriores etíope publicou no Twitter imagens de uma entrevista coletiva do alto diplomata chinês Wang Yi durante sua visita ao país, citando suas declarações: "a China se opõe a qualquer interferência nos assuntos internos da Etiópia".

O enviado especial da União Africana para o Chifre da África, Olusegun Obasanjo, está realizando intensos esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo, mas poucos avanços foram registrados até agora.


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