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Estado de Minas CARACAS

Justiça da Venezuela ordena repetir eleições em reduto chavista sem principal opositor


30/11/2021 00:55 - atualizado 30/11/2021 00:56

As eleições para governador em Barinas, estado natal do falecido presidente Hugo Chávez, e única região sem resultados no pleito de 21 de novembro na Venezuela, serão repetidas em 9 de janeiro sem o principal candidato da oposição, anunciou nesta segunda-feira (29) o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

A Sala Eleitoral do TSJ "ordena o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a convocar para o dia 9 de janeiro de 2022 as eleições de Governador ou Governadora do estado de Barinas" (oeste), diz a sentença da máxima corte do país.

O candidato opositor Freddy Superlano reivindica a vitória nesta região de 970.000 habitantes, onde familiares de Chávez governam desde 1998. Ele competiu com Argenis Chávez, irmão do presidente falecido (1999-2013) e aspirante à reeleição pelo governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Na sentença divulgada à noite em seu site, o TSJ reconhece que as "projeções consignadas pelo CNE" dão a Superlano 37,60% dos votos emitidos e para Argenis Chávez, 37,21%, mas destaca "a condição de inelegibilidade" do opositor, alegando que foi inabilitado em agosto passado pela Controladoria, devido a acusações de corrupção.

Mais cedo, o tribunal tinha determinado ao CNE "a suspensão imediata dos procedimentos processos vinculados à totalização (apuração), adjudicação e proclamação do CNE em relação aos candidatos ao cargo de Governador ou Governadora do estado de Barinas, ao mesmo tempo em que informou que Superlano "se encontra inabilitado ao exercício de qualquer cargo público" por "averiguações administrativas e penais".

O CNE confirmou no Twitter a paralisação da apuração das atas eleitorais pendentes em Barinas, ao "acatar a medida cautelar".

O opositor qualificou a decisão como "mais uma demonstração de pouca vontade" para "reconstruir uma rota eleitoral como saída para a crise política, social e econômica" da nação caribenha.

O recuso judicial que resultou na sentença do TSJ foi apresentado pelo parlamentar Adolfo Superlano, que não tem vínculos familiares com o opositor, apesar do sobrenome.

Ele alega que casos judiciais contra o candidato opositor por acusações de corrupção levariam a uma "situação insustentável".

O PSUV elegeu 19 dos 23 governadores, enquanto os principais partidos da oposição voltaram à disputa após anos de boicote e denúncias de "fraude". A volta da oposição foi marcada por divisões e em poucos casos conseguiu candidaturas unitárias.

A oposição tinha se negado a participar das eleições de 2018, nas quais o presidente Nicolás Maduro foi reeleito, e nas de 2020, nas quais o chavismo recuperou o controle do Parlamento.

Familiares de Chávez se elegeram ao governo desta região de 970.000 habitantes desde a chegada dele ao poder. Ali fica Sabaneta, sua cidade natal, com 28.000 habitantes.

A corrente começou com seu pai, Hugo de los Reyes Chávez, governador de 1998 a 2008; seguiu com seu irmão, Adán, atual embaixador da Venezuela em Cuba, entre 2006 e 2016; e continuou com Argenis, que está no cargo desde 2017.


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