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Estado de Minas DUNGENESS

Migrantes relatam a perigosa travessia do Canal da Mancha ao chegarem ao Reino Unido


25/11/2021 16:00

Tremendo e esgotado em uma praia de seixos na costa sul da Inglaterra, Ali, um sírio de 22 anos, explica o alto preço que precisou pagar para cruzar clandestinamente o Canal da Mancha juntamente com outros 30 migrantes.

Este jovem originário de Deir Ezzor, no leste da Síria, conta ter passado 12 horas em uma pequena embarcação de pneus à deriva entre a França e o Reino Unido antes que ele e os demais, inclusive várias crianças, fossem resgatados em alto mar por socorristas britânicos.

Ali chegou na quarta-feira. No mesmo dia, em águas francesas, outros 27 migrantes perderam a vida tentando cruzar o estreito que separa os dois países.

Ali e seus companheiros, que poderiam ter tido a mesma sorte, precisaram que tirar água de sua própria embarcação usando garrafas plásticas.

"Tínhamos medo porque não sabíamos o que ia acontecer conosco", explicou à AFP o jovem sírio, ao desembarcar de um barco de resgate perto da estação de salvamento de Dungeness, no sudeste da Inglaterra.

"Estávamos no mar, havia crianças no barco", continuou. "Estávamos preocupados com eles, preocupados com todos".

Ali diz ter pago 2.000 libras esterlinas (mais de 2.600 dólares) a um atravessador na França por um lugar em uma embarcação maior e mais forte do que os pequenos botes usados maciçamente nos últimos anos e que fizeram disparar as travessias de migrantes para a Inglaterra a níveis recorde em 2021.

As travessias, que antes eram limitadas aos meses quentes do verão, agora se estendem ao longo do ano, em condições ainda mais difíceis. Após ter passado frio por várias horas no mar, Ali e seus companheiros foram recebidos com mantas em Dungeness, onde a temperatura era de 5 graus.

- "Todos teríamos morrido" -

Apesar da sua magnitude, a tragédia desta quarta-feira está longe de dissuadir outros de sua tentativa de cruzar o Canal da Mancha, uma das rotas marítimas mais transitadas do mundo.

Na manhã de quinta-feira, mais migrantes chegaram à costa de Dover, 50 km ao leste de Dungeness, antes de serem levados de ônibus para o porto para serem atendidos.

Mounir Khan, originário de Cabul, é um dos cerca de 30 migrantes resgatados na quarta-feira perto de Dungeness.

Foi acolhido na estação de salvamento e depois, acompanhado a um ônibus e colocado aos cuidados da guarda costeira, juntamente com seus dois filhos adolescentes.

Se não tivesse sido resgatado, ele e as outras 30 pessoas que estavam a bordo da sua embarcação teriam perdido a vida, afirma este afegão de 45 anos, que fugiu de seu país há pouco mais de um mês por medo das represálias dos talibãs após a retirada das forças da Otan.

Ele e seu irmão eram alvo porque tinham trabalhado para o exército afegão, explicou à AFP. "Os talibãs levavam as pessoas à noite e as matavam", acrescentou, "e ninguém sabia aonde tinham ido".

A viagem, que realizou em um pequeno bote, navegando entre petroleiros e cargueiros gigantescos, deixou Mounir Khan assustado e abalado, além de infinitamente grato aos socorristas.

Quando o barco surgiu no horizonte, "tinha água na nossa embarcação e estava esvaziada", explicou, apontando para o barco de pneus, visivelmente perfurado, que era rebocado para a praia ainda com água dentro.

"Todos teríamos morrido", continuou. Os socorristas "salvaram a vida de todas estas pessoas".


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