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Estado de Minas DUBAI

ONU: guerra no Iêmen terá causado 377 mil mortes diretas e indiretas até o final de 2021


23/11/2021 21:41 - atualizado 23/11/2021 21:43

A guerra do Iêmen, que começou há sete anos, terá matado 377 mil pessoas de maneira direta e indireta até o final de 2021, disse a ONU em um relatório publicado nesta terça-feira (23).

Quase 60% das mortes devem-se a consequências indiretas do conflito, como falta de água potável, fome e doenças, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Isso significa que o número de pessoas mortas no conflito aumentará mais de 150.000 até o final de 2021.

O conflito coloca rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, contra as forças do governo iemenita, apoiados desde 2015 por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.

Sete anos de guerra tiveram "efeitos catastróficos no desenvolvimento da nação", segundo o PNUD, que acrescenta que "o acesso aos cuidados de saúde é limitado ou inexistente" e que "a economia está à beira do colapso".

A maioria das vítimas indiretas são "crianças especialmente vulneráveis à subnutrição e até mesmo à desnutrição", indicou.

"Em 2021, uma criança iemenita com menos de cinco anos morre a cada nove minutos devido ao conflito".

- Pior catástrofe humanitária -

De acordo com o PNUD, "1,3 milhão de pessoas" estão ameaçadas de morte se um acordo de paz não for alcançado até 2030.

"Uma proporção cada vez maior dessas mortes ocorrerá devido às consequências indiretas da crise para os meios de subsistência, os preços dos alimentos e a deterioração dos serviços básicos, como saúde e educação", explica.

A escalada do combate, incluindo batalhas de tanques e bombardeios regulares por aviões e drones, destruiu a infraestrutura mais básica em algumas áreas, continua o relatório.

Milhões de pessoas estão à beira da fome e dois terços dos iemenitas dependem de ajuda humanitária, de acordo com as Nações Unidas.

"O Iêmen é a pior e maior catástrofe humanitária do mundo, e esta catástrofe continua piorando", sublinha a ONU e "mais de 80% da população necessita de ajuda humanitária".

Milhões de iemenitas continuam sofrendo com o conflito, presos na pobreza, com poucas oportunidades de encontrar trabalho e meios de subsistência", disse Achim Steiner, administrador do PNUD.

A entidade já havia lembrado que o nível de desenvolvimento do Iêmen, país mais pobre do Golfo, havia diminuído em duas décadas por conta do conflito.

- Intensificação dos combates -

O PNUD esperava que até 2050, o Iêmen alcançaria o "status de renda média" se a guerra parasse imediatamente. Mas no terreno, pouco indica que seja assim.

Nas últimas semanas, os combates se intensificaram em várias frentes. Fontes próximas aos houthis afirmam que quase 15.000 de seus combatentes morreram desde junho perto da estratégica cidade de Marib, o último grande reduto do governo no norte do país, rico em petróleo.

Dois oficiais militares do governo iemenita disseram à AFP que mais de 1.200 de seus combatentes morreram na área durante o mesmo período.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) disse terça-feira que está "extremamente preocupado com a segurança dos civis na província de Marib, incluindo os deslocados", estimados em "um milhão".

"Mais de 40.000 pessoas tiveram que fugir de Marib desde setembro", disse a porta-voz do ACNUR, Shabia Mantoo, em Genebra.

A Organização Internacional das Migrações (OIM) informou em um relatório que será divulgado na quarta-feira nunca "ter visto tanta angústia em Maric nos últimos dois meses como nos últimos anos".

Segundo a OIM, os recém-chegados aos campos de deslocados da província se multiplicaram por dez desde setembro.

"Vemos às vezes 40 pessoas obrigadas a compartilhar a mesma barraca", lamenta Christa Rottensteiner, chefe da missão da OIM no Iêmen.

Em outra frente, em meados de novembro, rebeldes houthis tomaram o controle de uma ampla zona ao sul de Hodeida, cidade portuária estratégica no oeste do Iêmen, chave para a entrega de ajuda humanitária.


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