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Estado de Minas CARTUM

Vários políticos detidos após golpe são libertados no Sudão


22/11/2021 18:26 - atualizado 22/11/2021 18:31

Autoridades sudanesas libertaram vários políticos detidos após o golpe militar de 25 de outubro, em cumprimento ao acordo assinado no domingo entre os generais e o primeiro-ministro, Abdullah Hamdok, disse um dos beneficiários da medida à AFP nesta segunda-feira (22).

"Fui libertado à noite (no domingo) depois de ficar detido e isolado desde 25 de outubro", disse Omar al Daguir, líder do Partido do Congresso.

Al Daguir afirma que outras personalidades políticas importantes foram libertadas, como Sedig al Sadeq al Mahdi, dirigente do partido Al Oumma, o mais influente do país. Outro é Yaser Arman, conselheiro de Hamdok e figura de destaque nas Forças pela Liberdade e Mudança (FLC), o principal bloco pró-civil criado durante a revolta que levou à queda do ditador Omar al Bashir em 2019.

Mas nada se sabe sobre os líderes civis que participaram, junto com o Exército, das instituições de transição e também foram detidos.

Todos foram presos na madrugada do dia do levante militar, antes que o general Abdel Fattah al Burhan anunciasse a dissolução das instituições do país e o estado de emergência.

O primeiro-ministro Abdullah Hamdok, detido e colocado sob vigilância após o golpe, reapareceu em público pela primeira vez no domingo. Junto com o general Abdel Fattah al Burhan, ele assinou um acordo de 14 pontos que prevê seu retorno como primeiro-ministro e a libertação de "presos políticos".

- Reviravolta -

Nas últimas semanas, os sudaneses fizeram grandes manifestações contra o poder militar e pela libertação de civis detidos, apesar de uma repressão sangrenta que deixou 41 mortos, centenas de feridos e cortes nas comunicações.

Os manifestantes, que até agora desfilaram com fotos de Hamdok, a quem consideravam o único líder "legítimo" do Sudão, destruíram seu retrato no domingo por trair a "revolução" de 2019.

"Não duvidamos de sua integridade ... mas o que aconteceu ontem (domingo) é uma reviravolta", disse a ex-ministra das Relações Exteriores Mariam al Sadeq al Mahdi, descartando a possibilidade de que o acordo Burhan-Hamdok seja um novo "ponto de partida".

A diplomata é um dos 12 de 17 ministros da FLC que anunciaram a renúncia na segunda-feira, após reafirmar na véspera que "não, não há possibilidade de negociação, nem associação com os golpistas".

- "Suicídio político" -

Outra ponta de lança da revolução contra Bashir, a Associação dos Profissionais do Sudão, já disse no domingo que este acordo era para Hamdok um "suicídio político".

Os militares e Hamdok esperam continuar a transição democrática depois que o acordo foi assinado no domingo.

Mas, de acordo com analistas, o general Burhan teria conseguido principalmente acalmar a comunidade internacional e manter o controle sobre a transição.

Os militares mais uma vez reiteraram nesta segunda-feira sua promessa de conduzir o Sudão a "eleições livres e transparentes em julho de 2023", neste país sob ditaduras militares quase ininterruptas desde sua independência, há 65 anos.

Tanto a Troika responsável pelo dossiê sudanês (Estados Unidos, Reino Unido e Noruega), a União Africana e a União Europeia, como os aliados árabes do Exército (Arábia Saudita e Egito) saudaram o anúncio feito no domingo.

O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, conversou com Burhan e Hamdok nesta segunda-feira e pediu mais "avanços" antes de retomar a ajuda financeira do país, suspensa após o golpe.

Blinken condicionou a retomada da ajuda ao Sudão de 700 milhões de dólares a um maior avanço democrático, ao falar por telefone com os líderes do país.

"Este é o primeiro passo, não o último", disse a jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, ao descrever os diálogos de Blinken após a restituição do poder ao primeiro-ministro civil do Sudão.

Price informou que a decisão de retomar a assistência será tomada com base "completamente no que ocorrer nas próximas horas, dias e semanas".


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