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Estado de Minas SANTIAGO

Direitista Kast e esquerdista Boric disputarão segundo turno de presidenciais no Chile


21/11/2021 23:05 - atualizado 21/11/2021 23:07

O ultradireitista José Antonio Kast e o esquerdista Gabriel Boric, com programas e conceitos antagônicos para o futuro do Chile, passaram neste domingo (21) para o segundo turno das eleições presidenciais, que será celebrado em 19 de dezembro.

Kast liderava a disputa, com 28,52% dos votos, seguido por Boric, com 24%, após a apuração de 65,52% dos votos, informou o Serviço Eleitoral.

Após a divulgação dos resultados parciais, Kast assegurou que, se eleito, irá "recuperar a paz, a ordem, o progresso e a liberdade" do país.

"Interpretamos a maioria dos chilenos, que querem um país tranquilo e seguro", disse a centenas de seguidores reunidos em Santiago do Chile.

O advogado e político apontou Boric, seu adversário e antagonista, e seus aliados do Partido Comunista, como os causadores da "instabilidade" com seu projeto presidencial.

"Querem continuar avançando pelo caminho do ódio, da intolerância e da destruição porque avalizaram a violência e o ódio e isso tem que acabar", disse.

Kast também disse que precisará trabalhar "a partir de amanhã" para conquistar os votos dos seguidores das candidaturas que não passaram ao segundo turno.

Como ocorre no Chile desde 1999, a eleição presidencial será definida no segundo turno, já que nenhum candidato superou 50% dos votos para suceder o atual presidente, o conservador Sebastián Piñera.

O populista Franco Parisi (direita liberal), um economista que mora no Alabama, sul dos Estados Unidos, e que não pisou no Chile durante toda a campanha eleitoral, aparece em terceiro colocado, com 13% dos votos, concentrando seu proselitismo nas redes sociais. Seguiram-no a senadora democrata-cristã, Yasna Provoste, com 12% dos votos, e o governista Sebastián Sichel, com 11%.

"Seguimos com a cabeça erguida, já parabenizei Kast", disse Sichel, ao admitir a derrota antecipadamente. No segundo turno, ele disse que não votará em Gabriel Boric, mas tampouco pediu votos abertamente em Kast.

"Este espírito totalitário e fascista é o que representa a candidatura de José Antonio Kast. Nós nunca poderíamos ter uma posição neutra em relação ao que isto significa para o país. Não queremos que se repitam estas dores e estes horrores (ocorridos durante a ditadura de Augusto Pincochet), disse Provoste, também ao admitir sua derrota.

Sobre seu apoio a Boric, aliado dos comunistas, ela disse que não vai se manter neutra, mas tampouco declarou apoio explícito ao candidato.

- Eleições incertas -

As eleições deste domingo foram as mais incertas desde o fim da ditadura de Pinochet (1973-1990), com a ideia prévia de mudar o modelo neoliberal que permitiu crescimento econômico e estabilidade política nas três últimas décadas, mas é apontado como a origem da desigualdade que motivou protestos sociais desde outubro de 2019.

Também visa a restaurar a ordem e a estabilidade perdidas após as maciças manifestações iniciadas há dois anos.

Boric, de 35 anos, idade mínima para se candidatar à Presidência do Chile, propõe a mudança do modelo econômico neoliberal, enquanto Kast, ultraconservador de 55 anos, promete restaurar a ordem e a segurança após dois anos turbulentos desde que eclodiram os protestos sociais.

As seções fecharam às 18h locais (mesma hora em Brasília), com longas filas de eleitores esperando para votar nas quartas eleições celebradas no país desde outubro de 2020, quando foi celebrado o plebiscito para definir a mudança da Constituição, herdada de Pinochet.

No Chile, o voto é facultativo desde 2012 e podem votar estrangeiros residentes há mais de cinco anos no país. As eleições costumam ter baixa participação, sobretudo entre os jovens.

"É preciso vir votar para virar esta página de divisão e confusão nas ruas", disse à AFP Cristina Arellano, contadora de 42 anos em uma escola de Ñuñoa, comuna de classe média da capital.

- Polos opostos -

"Representamos o processo de mudança e transformação que se aproxima, (mas) com certeza, com a gradação que for necessária", frisou Boric ao votar em Punta Arenas, sua cidade natal, no extremo sul do país.

Por sua vez, Kast, que depois de 20 anos de militância no partido ultraconservador União Democrata Independente (UDI), é um dos fundadores do partido Republicano, tenta manter o modelo neoliberal herdado da ditadura de Pinochet e promete impor "ordem, segurança e liberdade".

"O principal (é que) muita gente possa comparecer para votar e que cada um possa se pronunciar em liberdade" e "votar informado", disse Kast, que argumenta que Boric e sua aliança com o Partido Comunista trarão "caos" ao Chile.

Também disputaram as presidenciais o professor de extrema esquerda Eduardo Artes e o cineasta e político progressista Marco Enríquez-Ominami.

- Fim de um ciclo -

Vários analistas consultados pela AFP consideram que as eleições deste domingo poderão encerrar um velho ciclo político do país, pois os dois candidatos que passaram ao segundo turno são alheios às coalizões com partidos tradicionais, que governaram o país nas últimas décadas.

"Pode-se sustentar que são as últimas eleições do velho ciclo, já que podem terminar com um resultado diferente aos (políticos) que tem havido", disse Raúl Elgueta, cientista político da Universidade de Santiago.


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