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Estado de Minas MOSCOU

Carta de 1787 da imperatriz Catarina II ecoa os atuais problemas russos com a covid


19/11/2021 11:06

Uma carta da imperatriz russa Catarina II pedindo que a população seja imunizada contra a varíola está em exposição em Moscou antes de ser leiloada, um documento histórico marcante que ecoa as dificuldades atuais da vacinação contra a covid-19 na Rússia.

A carta é de 20 de abril de 1787, momento em que surgiram os primeiros procedimentos de vacinação contra a varíola.

Nela, a imperatriz ordena a organização de uma campanha de vacinação contra essa doença, que, na época, devastava várias regiões de seu império, hoje localizadas na Ucrânia.

O documento foi apresentado na quinta-feira (18) em Moscou, onde ficará exposto até 30 de novembro. Será leiloado em dezembro, em Londres, pela casa MacDougall, junto com um retrato da imperatriz. O lote é avaliado em 1,2 milhão de libras (US$ 1,6 milhão).

"Uma das tarefas mais importantes deve ser a introdução da vacinação contra a varíola, que, como sabemos, causa grandes danos à população em geral", escreveu a imperatriz ao conde Pyotr Rumiantsev, um governador regional.

"Esse tipo de vacinação deve ser generalizada em todos os lugares", ressaltou a soberana.

Catarina, a Grande, foi a primeira em seu império a ser vacinada contra a varíola, tornando seu caso um exemplo para todos os seus súditos.

"À luz das condições atuais (com a pandemia da covid-19), devemos nos orgulhar de Catarina", estimou Ekaterina MacDougall, da casa de leilões de mesmo nome, ao apresentar a carta.

O presidente russo, Vladimir Putin, levou vários meses para anunciar sua vacinação contra a covid-19, apesar de encorajar os russos a fazê-lo sem demora com os imunizantes nacionais.

Desde então, a campanha de imunização contra o coronavírus tem patinado, pois apenas 36% da população recebeu o esquema completo de vacinação, e a desconfiança das vacinas é generalizada.

Segundo MacDougall, a imperatriz lançou uma "incrível" campanha de propaganda para convencer a população a se imunizar.

"A população estava com medo. Era algo novo e assustador", explicou o historiador Oleg Khromov, na apresentação do documento, julgando a carta "única, principalmente tendo em vista a situação atual".

Catarina, que governou o império russo de 1762 até sua morte em 1796, foi inoculada com uma amostra infectada por um médico inglês. Ficou doente por um tempo, mas foi declarada recuperada em outubro de 1768.

Quando o rei francês Luís XV morreu de varíola em 1775, ela considerou "bárbaro" morrer dessa doença durante o Iluminismo.

"Realmente espero que, em breve, em um futuro próximo, também possamos dizer: é bárbaro morrer de covid no século XXI", observou Ekaterina MacDougall.


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