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Estado de Minas SANTIAGO

Yasna Provoste, a revanche da única candidata à presidência do Chile


18/11/2021 17:51

A candidata da centro-esquerda à Presidência do Chile, Yasna Provoste, viverá uma verdadeira revanche política ao disputar o cargo máximo do Executivo no domingo, após ter sido destituída pelo Congresso quando era ministra da Educação e obrigada em 2008 a passar cinco anos longe da atividade pública.

Após concluído o seu 'exílio' político em 2013, Provoste, de 51 anos, se tornou deputada e depois, senadora. Em março de 2021, em meio à crise social provocada pela pandemia de covid-19, assumiu a presidência da Câmara Alta.

No cargo, esta militante do partido Democrata Cristão e professora de educação física liderou a oposição de esquerda no Congresso para pressionar o governo do conservador Sebastián Piñera a aumentar a ajuda social entregue com o objetivo de enfrentar a pandemia.

Hoje, ela representa a coalizão Unidade Constituinte e é a única mulher entre os sete aspirantes à Presidência nestas eleições.

"Nos custou muito chegar a espaços de representação; reconheço como é difícil e complexo para muitas mulheres", declarou em entrevista à AFP.

Sua gestão à frente do Senado a fez ganhar popularidade e conseguiu assim desbancar como candidata do partido a também senadora Ximena Rincón, sua atual substituta na presidência da Câmara Alta.

A candidatura de Provoste foi referendada depois de um processo de primárias nas quais participaram os partidos da antiga Concertação, a coalizão de centro-esquerda que governou o Chine por 20 anos após o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

- Herdeira da Concertação -

Em seu programa de governo, Provoste reivindica o realizado nos últimos 30 anos de democracia em meio a fortes críticas depois dos protestos sociais que eclodiram em outubro de 2019.

"Sou herdeira de uma coalizão que governou o nosso paós durante 30 anos, que enfrentou momentos bem difíceis após a recuperação da democracia, (porque) tivemos que receber um país com 40% de pobreza (...) que conseguiu diminuir para 3%. Os níveis de desemprego caíram aos limites da normalidade", disse sobre este Chile próspero de meados da década de 1990 até a primeira década dos anos 2000.

Católica praticante, é liberal em temas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção por casais gays, e também tem manifestado seu apoio a uma nova Constituição que garanta o direito à saúde, à educação, à moradia e a um ambiente limpo.

Durante sua campanha, um vídeo no qual fez a acrobacia conhecida como a 'invertida' apoiada em uma porta, foi aplaudida no Twitter pela ex-ginasta e campeã olímpica romena Nadia Comaneci.

- Perspectiva feminina -

"Uma mulher também traz um olhar diferente, talvez de uma sensibilidade com os problemas, ao aportar ao diálogo, à reconstrução, a nos unirmos, que é tão importante nos momentos que estamos vivendo hoje como país", disse à AFP esta mãe de dois filhos.

Aos 14 anos, tornou-se militante da DC e teve uma carreira política ascendente como governadora de sua região natal, ao Atacama (norte do Chile), entre 2001-2004. Depois, deu o salto para atuar como ministra do Planejamento entre 2004 e 2006, durante a presidência do socialista Ricardo Lagos (2000-2006).

Em 2008, durante o governo de Michelle Bachelet, ocupou a pasta da Educação, quando sofreu seu momento político mais amargo.

Em março daquele ano, a centro-direita iniciou no Congresso um julgamento político que a destituiu e inabilitou por cinco anos para exercer cargos públicos, acusada de desordens administrativas em sua pasta, uma acusação que não pôde ser provada pela Controladoria da República.

A destituição de Provoste foi a primeira de um ministro de Estado do Chile em 35 anos.

- "Sou Diaguita" -

"Sempre foi motivo de muito orgulho", diz Yasna Provoste Campillay, quando fala de sua ascendência diaguita, povo originário do norte do Chile.

Nascida na pequena localidade de Vallenar, de 52.000 habitantes, viveu desde pequena os costumes dos diaguitas, graças aos ensinamentos de sua mãe e seus bisavós, com os quais viveu.

Até agora se define como católica que celebra o Quasimodo, celebração religiosa mantida em várias localidades do vale central do Chile no primeiro domingo após a Páscoa. "Me visto com tudo e vamos a cavalo em procissão", diz sobre esta tradição com trajes típicos do campo.

É casada desde 1993 com Mauricio Olagnier, professor de educação física assim como ela, que a apoia nas sombras.

Provoste tem previsto votar e esperar o resultado das eleições em Vallenar com sua família e seus amigos.

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