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Estado de Minas SOKOLKA

Polônia prende quase 100 migrantes na fronteira e acusa Belarus


18/11/2021 10:12

O exército da Polônia anunciou a detenção de quase 100 migrantes que tentaram atravessar a fronteira a partir de Belarus durante a madrugada de quinta-feira (18), e acusou o governo de Minsk de ter provocado a operação.

Os países-membros do G7 pediram a Belarus o fim imediato da crise.

"Pedimos ao regime que ponha fim imediatamente a sua campanha agressiva (...) para evitar novas mortes e mais sofrimento", afirma um comunicado conjunto dos ministros das Relações Exteriores de Reino Unido (que ocupa a presidência do G7), França, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália e Japão, assim como da União Europeia (UE).

O grupo expressa "solidariedade" para com Polônia, Lituânia e Letônia, vítimas, segundo os países, de um "uso provocador da imigração ilegal".

Milhares de migrantes, principalmente do Oriente Médio, estão acampados na fronteira entre os dois países, com a intenção de entrar na UE, bloco do qual a Polônia faz parte.

O Ocidente acusa Belarus de orquestrar a crise para tentar dividir a UE e como forma de represália pelas sanções europeias que foram impostas a esta ex-república soviética, o que Minsk nega.

A UE também afirma que o governo bielorrusso atrai centenas de pessoas à fronteira com a promessa de que poderão atravessar a divisão entre os países.

Belarus nega e acusa a Polônia de rejeitar a presença dos migrantes, que enfrentam uma situação humanitária difícil.

- Voo de repatriação -

Belarus, que afirma querer desativar a crise. A presidência do país afirmou que 7.000 migrantes estão no país, 2.000 deles na fronteira com Polônia.

A porta-voz da presidência, Natalia Eïsmont, afirmou que o país vai organizar a repatriação de 5.000 migrantes e que a chanceler Angela Merkel negociará com a UE um corredor humanitário para a passagem dos 2.000 restantes até a Alemanha, uma informação que não foi confirmada por Berlim.

O primeiro voo de repatriação com migrantes que estavam bloqueados na fronteira decolou nesta quinta-feira de Minsk com destino a Bagdá.

De acordo com um representante da diplomacia iraquiana, 431 pessoas estão a bordo do voo da companhia Iraqi Airways.

Sobre o incidente na fronteira durante a madrugada, o ministério da Defesa da Polônia afirmou no Twitter que as forças bielorrussas primeiro fizeram um reconhecimento do local e que "muito provavelmente" causaram danos à cerca de arame farpado que marca a fronteira.

"Então, os bielorrussos forçaram os migrantes a atirar pedras contra os soldados poloneses para desviar a atenção, enquanto a algumas centenas de metros de distância acontecia a tentativa de atravessar a fronteira", completou.

"Um grupo de quase 100 migrantes foi detido pelos serviços (de segurança) poloneses", anunciou o ministério. O incidente aconteceu perto da localidade de Dubicze Cerkiewne.

"As forças bielorussas dirigiram o ataque", afirmou o ministério.

Um vídeo divulgado pelo ministério mostra soldados poloneses cercando um grupo de pessoas em uma área de floresta, no meio da noite, perto da cerca de arame farpado.

Não foi possível confirmar o incidente com fontes independentes, pois a entrada de jornalistas não está autorizada na zona de fronteira do lado polonês.

- Conversas técnicas entre UE e Belarus -

O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que reprime há quase três décadas os opositores políticos e os meios de comunicação independentes, conversou nos últimos dias em duas oportunidades com a chanceler alemã Angela Merkel sobre a crise.

Belarus afirmou na quarta-feira que os dois governantes concordaram em iniciar negociações a nível europeu.

A Comissão Europeia confirmou que terá "discussões técnicas" com Belarus sobre a repatriação para seus países dos migrantes que estão na fronteira da UE com este país.

Ao mesmo tempo, várias companhias aéreas anunciaram o veto de migrantes em voos para Belarus.

A Rússia, aliada do presidente bielorrusso, recebeu com satisfação o contato direto entre UE e Minsk e voltou a negar qualquer envolvimento na crise.

"É do interesse da Rússia que a Europa finalmente caia em si e pare de considerar que a Rússia é responsável por todos os males", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Os grupos de ajuda humanitária afirmam que pelo menos 11 migrantes morreram desde o início da crise.

Equipes de emergência polonesa informaram nesta quinta-feira que ajudaram um casal sírio que passou um mês e meio na floresta.

"O filho de um ano e meio deles faleceu na floresta"< afirmou o Centro Polonês de Ajuda Internacional (PCPM) no Twitter.

Em outro incidente, um vídeo divulgado por guardas bielorrussos mostra um cão da guarda fronteiriça lituana mordendo um homem que estava em um saco de dormir no chão, no limite entre os países.

Os guardas lituanos admitiram o incidente e explicaram que tentavam provocar o recuo de um grupo de migrantes e que não viram a pessoa que estava no chão.

A Cruz Vermelha bielorrussa afirma que quase 1.000 migrantes estão acampados em um local abandonado próximo da fronteira e outros 800 nas imediações.

Em uma entrevista à AFP, Fabrice Leggeri, diretor da agência de fronteira da UE Frontex, declarou que o bloco deve se preparar para enfrentar crises mais "híbridas" de migrantes, ou seja, humanitárias mas com objetivos políticos.


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