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Estado de Minas PARIS

Na França, Lula ataca 'isolamento' do Brasil de Bolsonaro


16/11/2021 19:34 - atualizado 16/11/2021 19:37

O Brasil precisa voltar ao cenário internacional após o "isolamento" provocado pelo presidente Jair Bolsonaro, garantiu nesta terça-feira (16) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita a Paris.

O atual governo "fez o Brasil dar as costas ao mundo", criticou Lula durante uma conferência na prestigiosa universidade de Sciences Po de Paris, no âmbito de uma turnê europeia na qual o petista tem previsto encontros com diversos líderes do continente.

"O isolamento político e diplomático do Brasil é nocivo não somente para nosso país, mas também para a comunidade de nações", completou o ex-presidente, que acredita que "a participação ativa" do Brasil é "necessária para o mundo".

Embora seu discurso prometia abordar a questão do Brasil "no mundo de amanhã", Lula usou praticamente a totalidade de seu tempo no palco para descrever um país que "está sendo destruído".

"Ninguém quer investir no Brasil", porque Bolsonaro "é grosseiro com as mulheres, não ama os negros, queima a floresta, porque é violento com o povo indígena", afirmou o ex-presidente diante de cerca de 400 estudantes.

- "Divergências" com a UE -

Considerado favorito nas pesquisas, o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou, no mês passado, que definirá no início do próximo ano se será candidato à presidência em outubro de 2022 contra Bolsonaro.

Lula pode disputar a presidência, porque recuperou os direitos políticos após a anulação das condenações por corrupção anunciadas contra ele. Uma delas levou-o à prisão por quase 18 meses, entre 2018 e 2019.

O ex-presidente aproveita a viagem pela Europa para criticar Bolsonaro por sua gestão desastrosa da pandemia de covid-19 e pelas queimadas na Amazônia, mas também para cultivar sua imagem internacional à espera da confirmação de sua candidatura.

Após reunião com Olaf Scholz, futuro chefe de Governo da Alemanha, Lula anunciou um encontro para quarta-feira com o presidente da França, Emmanuel Macron, e cogita um encontro com o espanhol Pedro Sánchez.

O objetivo é "discutir o futuro de um acordo entre a América Latina e a União Europeia (UE)", afirmou Lula na universidade de Sciences Po.

Lula disse que "há divergências", como o desejo da América Latina de "se industrializar" e não se limitar a exportar produtos agrícolas, uma das críticas tradicionais ao pacto UE-Mercosul 2019, que ele não citou.

Durante sua conferência repleta de metáforas do futebol, interrompida por aplausos e com ares de comício eleitoral, Lula defendeu uma reforma do sistema multilateral como o Conselho de Segurança da ONU, após a pandemia.

E alertou contra uma "segunda guerra fria", neste caso "tecnológica" entre os Estados Unidos e a China. "Não podemos aceitar isso", acrescentou o ex-presidente, para quem o Brasil deve discutir com a China, com os Estados Unidos e "falar o que pensa".

- "Visionário" -

Na França, Lula almoçou com a prefeita da capital, Anne Hidalgo. A candidata socialista à presidência da França em 2022 recebeu com um abraço o "amigo" brasileiro, a quem concedeu o título de cidadão honorário de Paris em 2020.

"Ele é um visionário, um homem do povo, uma inspiração e ele tem meu apoio", elogiou Hidalgo antes do encontro com Lula em um bistrô parisiense. O ex-presidente deve se reunir na quarta-feira com o esquerdista e também presidenciável Jean-Luc Mélenchon.

No mesmo dia, a revista especializada "Politique Internationale" concederá ao ex-presidente o "Prêmio à Coragem Política" 2021, por "encarnar a "esperança dos brasileiros decepcionados" com Bolsonaro.

Fundada em 1978, a revista já concedeu o prêmio ao papa João Paulo II, ao ex-presidente egípcio Anwar al Sadat e ao ex-chefe de Estado sul-africano Frederik De Klerk, que contribuiu para o fim do Apartheid.

Já na Espanha, na quinta-feira, Lula participará do fórum "Cooperação multilateral e recuperação regional pós-covid-19" junto com o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o atual chanceler, José Manuel Albares, entre outros.


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