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Estado de Minas CARTUM

Seis manifestantes mortos e diretor da Al-Jazeera detido no Sudão


14/11/2021 12:18 - atualizado 14/11/2021 12:19

As forças de segurança do Sudão anunciaram neste domingo (14) a detenção do diretor do escritório do canal Al-Jazeera em Cartum, o que aumenta a pressão sobre a imprensa um dia após a morte de seis manifestantes em uma das jornadas mais violentas desde o golpe militar.

"As forças de segurança realizaram uma operação na casa de Al-Musalami al-Kabbachi, diretor da Al-Jazeera no Sudão, e ele foi detido", afirmou o canal de televisão com sede no Catar em sua conta no Twitter.

Os motivos da detenção não foram divulgados. Centenas de ativistas, opositores e manifestantes contrários ao golpe também foram detidos.

O Sudão entrou em um período turbulento em 25 de outubro, quando o general Abdel Fattah al-Burhane, que já comandava o Conselho de Soberania, o principal organismo de poder do Sudão após 30 anos de ditadura, determinou a detenção da maioria dos civis com os quais compartilhava o poder.

No mesmo dia, ele também dissolveu todas as instituições do país e declarou estado de emergência.

Desde então, a Al-Jazeera cobre as manifestações contra o golpe de Estado, várias delas ao vivo. O canal também entrevistou há menos de uma semana o general Al-Burhane, que só falou com a imprensa duas vezes desde o golpe de Estado.

Neste domingo o canal responsabilizou "as autoridades sudanesas pela segurança de todos os seus funcionários" e afirmou que "continuará fazendo a cobertura dos assuntos mundias com profissionalismo".

No sábado, militantes pró-democracia convocaram dezenas de milhares de pessoas para protestos contra o golpe em todo o país, apesar da grande mobilização militar e de outros obstáculos, incluindo o bloqueio do serviço de internet.

As forças de segurança tentaram impedir as manifestações com uma repressão violeta. O balanço atualizado de um sindicato de médicos contabiliza seis manifestantes mortos em Cartum no sábado, incluindo um adolescente de 15 anos e um jovem de 18 anos chamado Al-Cheikh Yasser Ali.

Seu tio, Zaher Ali, acompanhou a necropsia. "Atiraram no coração e nos pulmões. Foi horrível, quase desmaiei no necrotério", declarou à AFP em Omdurman, subúrbio ao nordeste de Cartum.

Desde 25 de outubro, data do golpe, 21 manifestantes morreram e centenas ficaram feridos, de acordo com o sindicato.

A polícia negou ter atirado contra os manifestantes e anunciou um balanço de 39 feridos em estado grave entre os agentes.

A embaixada dos Estados Unidos em Cartum condenou o "uso excessivo da força" em uma mensagem no Twitter. Em abril de 2019, mais de 250 manifestantes morreram na revolta popular que levou o exército a derrubar o ditador Omar al-Bashir.

Apesar da violenta repressão de sábado, as Forças da Liberdade e Mudança (FFC, na sigla em inglês), o bloco civil surgido da revolta que derrubou Bashir, convocaram novas manifestações para a próxima quarta-feira.

"Nosso caminho para um Estado civil e democrático não termina", afirmou em um comunicado o bloco, que tem alguns de seus líderes detidos desde o golpe.

- Promessas de eleições -

O general Abdel Fattah al Burhan nomeou na quinta-feira um novo Conselho Soberano, do qual foram excluídos os representantes do bloco que pede a transferência de poder aos civis.

Este conselho foi criado após a queda em 2019 do ditador Omar al-Bashir para supervisionar a transição à democracia. Mas em 25 de outubro, Al Burhan dissolveu todas as instituições.

Com seu número dois, o general Mohamed Hamdan Daglo, comandante das influentes Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares acusados de vários abusos, Burhan prometeu organizar "eleições livres e transparentes" no verão de 2023.

As promessas não apaziguaram a oposição.

"Agora que aconteceu o golpe, os militares querem consolidar seu controle do poder", afirmou Jonas Horner, pesquisador do International Crisis Group.


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