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Estado de Minas NAIRÓBI

Ofensiva do governo etíope em estratégica cidade do norte


31/10/2021 12:19

As forças do exército federal da Etiópia lançaram, neste domingo (31), uma ofensiva para retomar o controle da estratégica cidade de Dessie (norte), horas depois que os rebeldes do Tigré proclamaram o controle da localidade.

A tomada desta cidade no sábado pelas tropas da Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) marca uma nova etapa no conflito travado há quase um ano pelo governo federal contra os rebeldes.

Depois de se retirarem diante do avanço dos rebeldes no sábado, as tropas do governo teriam retomado os combates em Dessie, segundo informaram moradores locais, que foram convidados a ficar em suas casas.

"Os soldados nos contaram que estão lutando para reconquistar a cidade (...) E que ninguém deve sair", disse Mohammed, morador da cidade que não quis revelar o sobrenome.

Um comunicado do departamento de comunicação do exército federal afirmou hoje que "as forças armadas na frente de batalha continuarão a eliminar o grupo terrorista".

Boa parte do norte do país está sem comunicação e o acesso dos jornalistas é restrito, por isso é muito difícil verificar de forma independente as notícias que vêm da frente de batalha.

O governo etíope, por meio de um de seus ministros, convocou neste domingo a mobilização dos cidadãos. "Todos os etíopes em idade de lutar devem se mobilizar", disse o ministro do Serviço de Comunicações, Legesse Tulu.

Em Amhara, onde Dessie está localizada, a região pediu aos moradores que se inscrevessem para defender as cidades.

Movimentos de refugiados estão ocorrendo ao redor da cidade de Dessie, 400 quilômetros ao norte da capital Adis Abeba, com pessoas fugindo de áreas afetadas pelo conflito mais ao norte, e os próprios moradores pegando ônibus para fugir para a cidade de Kombolcha, mais ao sul.

Tigré é alvo de bombardeios aéreos por parte das forças do governo há duas semanas.

De acordo com uma fonte médica, 10 pessoas morreram durante um ataque aéreo na quarta-feira. A ONU afirma que dois ataques em outubro mataram 18 pessoas, incluindo 3 crianças.

Outra pessoa teria sido morta em um ataque neste mês.

O governo afirma que os alvos bombardeados são instalações militares dos rebeldes da TPLF.

Segundo a ONU, cerca de 400.000 pessoas correm risco de fome na região.

O conflito eclodiu em novembro passado, depois que o primeiro-ministro Abiy Ahmed enviou tropas para o Tigré em resposta (de acordo com Ahmed) aos ataques da TPLF a acampamentos do exército.

Ahmed declarou então que seria uma ação rápida contra a TPLF, partido que governou a Etiópia por três décadas, mas desde junho os rebeldes retomaram o Tigré, com os combates se espalhando para as regiões vizinhas de Amhara e Afar.


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