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Estado de Minas CARTUM

Golpe no Sudão coloca em risco apoio internacional arduamente conquistado


27/10/2021 12:04

O empobrecido Sudão começou a reverter décadas de isolamento internacional neste ano para obter investimentos e ajuda de necessidade urgente, mas o recente golpe militar ameaça este progresso, segundo os analistas.

O primeiro sinal concreto veio nesta quarta-feira (27), dois dias após o golpe de Estado do chefe do Exército, general Abdel Fattah al Burhan, a União Africana (UA) suspendeu o Sudão "até a restauração efetiva da autoridade de transição dirigida por civis".

Sob a ditadura de Omar al Bashir, o Sudão foi um pária para os países ocidentais. Os Estados Unidos adotaram severas sanções contra o regime por abrigar extremistas islâmicos, incluindo o líder da Al-Qaeda Osama bin Laden nos anos 1990.

O líder autoritário foi derrubado pelo seu próprio exército em abril de 2019 após grandes protestos nas ruas. Foi instaurado então um governo de transição de civis e militares, derrubado com o golpe de segunda-feira.

Esses dois anos colocaram o Sudão no caminho certo, afirma Alex de Waal, especialista sobre o país e diretor executivo da World Peace Foundation dos Estados Unidos.

Em dezembro, Washington o retirou de sua lista de países que patrocinam o terrorismo e neste ano abriu as portas para um perdão da dívida de 50 bilhões de dólares e a obtenção de novos fundos do FMI e do Banco Mundial.

- Suspensão de ajuda -

"Os interesses nacionais do Sudão foram atendidos com este lento caminho de reforma com assistência internacional que, finalmente, começava a chegar na quantidade necessária", disse De Waal.

Mas com a prisão do primeiro-ministro Abdala Hamdok, um economista internacional, e de outros membros civis do governo e dos órgãos que administravam a transição, os militares geraram "sérios riscos para o Sudão", diz um relatório do International Crisis Group.

Os Estados Unidos não demoraram a reagir. Horas depois do golpe, anunciaram a suspensão de um pacote de 700 milhões de dólares de ajuda econômica que visava apoiar a transição democrática do país.

Na terça-feira, a União Europeia também ameaçou suspender o apoio financeiro se os militares não restaurarem os líderes civis em seus cargos.

Foi acompanhada pelo Banco Mundial nesta quarta-feira, que suspendeu "os desembolsos de todas as suas operações no Sudão e parou de processar qualquer nova operação enquanto acompanhamos de perto e avaliamos a situação", disse o presidente da instituição, David Malpass.

O Sudão é um dos países menos desenvolvidos do mundo. No final de 2018, o preço do pão triplicou e levou aos protestos que acabaram afastando o ditador.

Nos últimos anos, o país sofreu escassez de medicamentos e outros produtos essenciais, enquanto a inflação ficou acima de 300%.

Após a queda de Bashir, as monarquias do Golfo depositaram 500 milhões de dólares iniciais em seu banco central como parte de uma ajuda prometida de 3 bilhões para manterem sua influência no país.

No entanto, embora o general golpista Al Burhan obtenha mais apoio financeiro dos países árabes, não compensará o oferecido pelas instituições internacionais e pelos doadores ocidentais, afirma De Waal.

O golpe "deixa potencialmente o Sudão extremamente isolado, voltando a um período em que era evitado pelo resto do mundo", explica.


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