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Estado de Minas QUITO

Indígenas do Equador lideram atos contra governo apesar do estado de exceção


26/10/2021 10:30

O influente movimento indígena do Equador, que participou da derrubada de três presidentes entre 1997 e 2005, lidera nesta terça-feira (26) um protesto contra a política econômica do governo, uma disputa no momento em que vigora o estado de exceção, medida adotada pelo governo para lutar contra a violência do narcotráfico.

Os indígenas voltam às ruas e estradas para criticar as altas mensais de combustíveis aplicadas o ano passado. Em 2019, eles também estiveram à frente dos distúrbios contra o fim dos subsídios aos combustíveis. Estes confrontos deixaram 11 mortos.

No sábado (23), o preço do galão (3,8 litros) de diesel subiu para US$ 1,90, contra US$ 1 há mais de um ano. A gasolina comum chegou a US$ 2,55.

O presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), Leonidas Iza, havia anunciado que as estruturas de base do movimento estariam mobilizadas a partir da meia-noite em todo país, abalado pelo aumento da criminalidade e pelos massacres em penitenciárias, que deixaram mais de 2.000 mortos nos últimos meses.

Os povos originários, que representam 7,4% dos 17,7 milhões de habitantes do Equador, sairão de suas comunidades em direção às estradas. Devem caminhar ao lado de operários, estudantes e trabalhadores de vários setores ao longo da tarde, em Quito, para reivindicar a queda dos preços dos combustíveis, disseram lideranças e organizadores do ato.

O serviço privado de ônibus suspendeu uma greve parcial prevista para esta terça na capital do país, após um diálogo com as autoridades para aumentar as tarifas, como deseja o setor.

O presidente conservador Guillermo Lasso alertou que não permitirá excessos.

"Vamos desenvolver todo um dispositivo para evitar o fechamento de vias, para que impere a lei, porque o fechamento de avenidas e o obstáculo à livre-circulação de pessoas e mercadorias está proibido por lei", declarou ontem (25).

- Confrontos -

Previstos para serem os maiores desde que Lasso assumiu a Presidência do Equador em maio, os protestos acontecerão sob o estado de exceção de 60 dias decretado na semana passada, que determinou a presença de militares nas ruas para apoiar a polícia no combate à criminalidade.

Apesar da presença de soldados nas ruas, o velocista olímpico Álex Quiñónez foi assassinato a tiros na última sexta-feira (22). A polícia investiga se o crime está relacionado com a guerra pelo poder entre grupos de narcotraficantes.

O Executivo não suspendeu as liberdades de manifestação, nem de reunião, apesar de ter a possibilidade de tomar tal decisão com base na situação de emergência declarada em todo Equador.

Localizado entre Colômbia e Peru, o país é um dos maiores produtores mundiais de cocaína.

"O problema é quando não se escuta. Logicamente, o governo mobiliza policiais, militares. Aí acontecem os confrontos", advertiu Iza, que deseja fixar e congelar os preços em US$ 1,50 para o diesel, e US$ 2, para a gasolina comum.

Na sexta-feira, Lasso congelou os novos preços e encerrou os aumentos mensais, mas não conseguiu reduzir a insatisfação de setores da oposição que consideram suas políticas econômicas de tom neoliberal.

Se Lasso "recuar para uma posição de neoliberalismo clássico, a consequência será, infelizmente, uma nova explosão social", disse à AFP a cientista política Karen Garzón Sherdek, da Universidade Sek.


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