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Estado de Minas GAZA

Pescadores de Gaza lutam para trabalhar sob o bloqueio de Israel


24/10/2021 11:39

Ao avançar contra as ondas do Mediterrâneo no fim da tarde, o pescador palestino Mohamad al Nahal lidera um grupo de barcos frágeis para uma nova noite de pesca sob o bloqueio israelense na Faixa de Gaza.

Obrigados a permanecer perto da costa pelas restrições de Israel, os homens reclamam que são obrigados a pescar em águas pouco profundas.

"Se capturamos 200 quilos de sardinhas, tudo bem, mas também podemos retornar sem nada", conta Nahal, de 28 anos.

O preço elevado do combustível no território deixa o custo da operação de pesca tão caro que eles não podem se afastar muito.

"Quanto mais nos afastamos, mais pagamos por combustível sem saber se vamos conseguir pescar", explica Nahal, à frente de uma linha de cinco embarcações, em um ambiente que mistura o odor de gasolina e sardinhas.

Desde que o grupo islamita Hamas assumiu o poder em 2007 em Gaza, Israel impõe um bloqueio ao território palestino de dois milhões de habitantes. Assim, o mar aberto parece a única promessa de liberdade, mas é uma impressão enganosa.

A Marinha israelense controla totalmente a linha costeira de 40 km de Gaza, e com frequência reduz ou aumenta a zona de pesca, de acordo com as condições de segurança.

Depois de meses de relativa calma após a guerra de 11 dias entre Israel e Hamas em maio, a zona de autorização de pesca foi ampliada em setembro para 15 milhas náuticas, o máximo sob o bloqueio, o que inclui águas com maior abundância de peixes.

Mas a equipe de Nahal não se afasta tanto. Seis milhas náuticas é o limite do grupo, uma distância boa para as sardinhas, mas insuficiente para peixes maiores ces más grandes, como o atum.

"Nós não temos motores adequados para alcançar 15 milhas. Atualmente não estamos autorizados a entrar em Gaza com os motores modernos", explica Nahal.

Alguns pescadores palestinos também temem um grande deslocamento mar adentro. Em algumas ocasiões, as patrulhas israelenses abriram fogo e danificaram as redes pelas restrições.

Ganhar a vida exige criatividade: Nahal adaptou um motor de um carro Volvo para impulsionar seu barco e alimentar as luzes potentes que apontam para a água para atrair as sardinhas.

Com as restrições de importação, Israel também limita o acesso a outros equipamentos, como aparelhos sonoros que ajudam a detectar cardumes.

Israel os equipamentos por seu "uso duplo", pois poderiam servir para ajudar a produção de armas do Hamas ou para contrabando.

As autoridades israelenses alegam que o bloqueio é necessário para proteger os civis que podem ser atacados por foguetes lançados a partir do território desde que o Hamas chegou ao poder.

Yussef, de 22 anos, reclama porque todos os pescadores de Gaza devem permanecer na mesma zona, o que dificulta a atividade.

"Não há pescado suficiente. Eu vivo da pesca desde os 14 anos, vou todos os dias quando o mar está aberto, esta é a única coisa que sei fazer".

- Fonte crucial -

Em Gaza, com metade de sua população sem trabalho, a pesca é uma fonte crucial de receita.

Mas o setor enfrenta muitas dificuldades, como o despejo no mar de água de esgoto com pouco tratamento, o que afeta "todo o habitat marinho e a saúde pública", segundo um relatório de 2020 do Banco Mundial.

"Muitas espécies das quais as pessoas dependem já estão com exploração excessiva", acrescenta o relatório.

No dia acompanhado pela AFP, o balanço foi positivo para Nahal.

Depois de várias horas com as luzes direcionadas para a água, os barcos lançaram as redes.

Cansados, os pescadores retornaram ao porto e venderam o produto no terminal lotado.

Nahal conseguiu vender a meia tonelada pescada em 90 segundos por 3.000 shekels (935 dólares).

O resultado ficou acima do que ele esperava, mas o lucro é pequeno quando o pescador desconta os gastos e o salário da tripulação.

VOLVO AB


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