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Estado de Minas EMPREGO

Com salários em alta, faltam candidatos para tantas vagas nos EUA

As dificuldades para o cuidado de crianças e a obrigação de se vacinar contra a COVID estão entre as principais causas da dificuldade em se contratar


21/10/2021 14:10 - atualizado 21/10/2021 15:21

Cartaz escrito We're hiring (estamos contratando, em português)
"Estamos contratando": vários setores não estão conseguindo preencher vagas de trabalho nos Estados Unidos (foto: Gerd Altmann/Pixabay)

Conseguir trabalhadores se tornou uma tarefa difícil nos Estados Unidos, onde muitas pessoas rejeitam alguns empregos ou até se demitem dos lugares em que trabalham, o que dispara os salários e ameaça o crescimento.

Vendas de varejo, transporte, indústria manufatureira, cuidado de crianças... os empregadores de vários setores encontram problemas para contratar, principalmente quando se trata de empregos na faixa mais baixa da escala salarial.

Isso "reflete o envelhecimento da mão de obra, as mudanças nos tipos de empregos que as pessoas querem e o tempo necessário para treinar trabalhadores", estimou na quarta-feira um dos chefes da Reserva Federal (Fed, banco central), Randal Quarles.

"As dificuldades para o cuidado de crianças e a obrigação de se vacinar foram amplamente citadas entre as causas do problema, assim como as ausências ligadas à COVID", explicou a Fed em seu relatório de negócios conhecido como "Livro Bege", que é realizado com base em uma pesquisa entre as empresas do país.

Apesar da reabertura das escolas, as creches estão vazias. Essas instituições – geralmente particulares e muito caras nos Estados Unidos – não conseguem contratar pessoal e devem reduzir seus estabelecimentos e aumentar suas taxas.

Além disso, o medo de contrair COVID ainda é alto em uma parte da população.

A obrigação de se vacinar para trabalhar em algumas empresas ou setores pode conter os mais relutantes, embora a quantidade de demissões vinculadas a essa exigência tenha sido menor que o esperado, segundo as empresas consultadas.

Com a oferta em mãos

Resultado: a expiração, em 6 de setembro, do seguro-desemprego estendido, que era distribuído desde o início da pandemia, não foi acompanhada de uma corrida para os postos de trabalho como se esperava, destacam muitos empresários.

Ainda faltam 3 milhões de trabalhadores para voltar ao nível de população economicamente ativa (PEA) registrado antes da crise, segundo dados do Departamento do Trabalho.

É "pouco provável", segundo Randal Quarles, que a participação no mercado de trabalho de 61,6% em setembro volte ao nível de 63,4% de fevereiro de 2020, antes que a pandemia levasse à interrupção de muitas atividades econômicas.

No momento, "muitos candidatos chegam na entrevista (de emprego) com outra oferta em mãos", detalhou a Fed.

Isso pressiona as empresas: salários, benefícios de contratação, seguros médicos, melhores condições de trabalho. Tudo faz parte do pacote.

Salários em alta para atrair mão de obra

As farmácias CVS, as lojas Target, os restaurantes Chipotle, a gigante Amazon, entre outros, superaram os 15 dólares por hora, o dobro do mínimo federal e a quantia que o presidente Joe Biden queria para o salário mínimo nacional.

Biden desistiu de seu objetivo em meio a uma forte oposição no Senado.

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, vê com bons olhos que as pequenas empresas americanas aumentem os salários para atrair mão de obra diante da concorrência de grandes grupos.

O salário médio por hora nos Estados Unidos passou de 28,52 dólares em fevereiro para 30,85 dólares em setembro de 2021, segundo o Departamento do Trabalho.

Mas para as empresas, grandes ou pequenas, que não conseguem seduzir candidatos, a atividade diminui.

No fundo, o crescimento é prejudicado, com um ritmo mais lento no início do outono boreal, "castigado" por essa falta de pessoal, à qual somam-se a dificuldades mundiais de abastecimento e os temores vinculados ao impacto da variante delta.


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