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Estado de Minas MOSCOU

Kremlin não tem 'nenhum respeito' por Prêmio Sakharov dado a Navalny


21/10/2021 08:55

O Kremlin denunciou, nesta quinta-feira (21), a decisão do Parlamento Europeu de conceder o Prêmio Sakharov à liberdade de consciência ao opositor do Kremlin Alexei Navalny, que está preso.

"Respeitamos esta instituição [o Parlamento Europeu], mas ninguém pode nos obrigar a ter respeito por uma decisão dessas", reagiu o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.

O Prêmio Sakharov 2021 de defesa dos direitos humanos e da liberdade de pensamento foi atribuído ao opositor russo na quarta-feira (20), para destacar sua luta "sem descanso" pela democracia e contra a corrupção em seu país.

"Ele lutou sem trégua contra a corrupção do regime de Vladimir Putin. Isto custou a sua liberdade e quase sua vida", tuitou ontem o presidente do Parlamento Europeu, o italiano David Sassoli.

"Em nome do Parlamento Europeu, peço sua libertação imediata e incondicional", exigiu, de maneira oficial, a vice-presidente da instituição, eurodeputada ambiental finlandesa Heidi Hautala, em discurso no hemiciclo de Estrasburgo.

"As autoridades russas devem parar com todo o tipo de assédio, intimidação e ataques contra a oposição, a sociedade civil e a mídia", acrescentou Heidi.

Navalny quase morreu envenenado em agosto de 2020, fato que países ocidentais atribuíram aos serviços russos. O Kremlin nega até hoje qualquer envolvimento no episódio. O opositor recebeu tratamento médico na Alemanha, o que prejudicou as relações entre Berlim e Moscou.

Foi preso assim que voltou para a Rússia, no início de 2021, e condenado a mais de dois anos de prisão. Ele cumpre a sentença na colônia penal de Pokrov. Foi considerado culpado por fraude em um caso amplamente considerado como repressão política.

Ignorado pela imprensa oficial e sem representação no Parlamento, Navalny alcançou notoriedade nas redes sociais com seus vídeos investigativos. Neles, critica a corrupção das elites e do presidente Vladimir Putin, seu grande rival.

- Antessala do Nobel

Lançado em 1988, este Prêmio foi criado em homenagem ao grande dissidente da então União Soviética Andrei Sakharov. Recompensa, todos os anos, indivíduos, ou organizações, que defendem os direitos humanos e as liberdades fundamentais. O vencedor recebe a quantia de 50.000 euros.

Em 2020 foi atribuído à "oposição democrática" ao presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, e recebido por sua líder, Svetlana Tikhanovskaya. Em 2019, agraciou-se o intelectual uigur Ilham Tohti, condenado à prisão perpétua na China por "separatismo".

Em várias ocasiões, esta distinção foi uma etapa anterior ao Nobel da Paz, como no caso do ginecologista congolês Denis Mukwege, da jovem paquistanesa Malala Yousafzai e do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, o primeiro ganhador do Sakharov.

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz este ano, junto com a jornalista filipina Maria Ressa, Dmitri Muratov, editor-chefe do jornal Novaya Gazeta, um dos últimos veículos de comunicação abertamente críticos do poder na Rússia, afirmou que também teria dado este prêmio para Navalny.

O Prêmio Sakharov será entregue, oficialmente, durante uma cerimônia no Parlamento Europeu em Estrasburgo, em 15 de dezembro.


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